arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista, Paula Melâneo

Pedro Brandão

Novas Coletividades - Perspetivas Críticas

Arquiteto, Professor IST, Autor "La Imagem de la Ciudad" (Publicaciones UB) e "O Sentido da Cidade" (Livros Horizonte)

arqa: Tendo em conta a investigação sobre os temas do espaço público, em que sentido lhe interessa especificamente o fenómeno das novas coletividades? Como se pode definir este emergente sentido de comunidade?

PB: (Querido Público...) Pergunta-se se estamos a assistir a novas formas de socialização urbana e se há novos espaços colectivos que lhe correspondam. Interessando-me às temáticas do espaço público, interessa-me aquilo de que ele é feito, e o que ali acontece, ou seja, não só as matérias e formas do espaço, ou hardware, como também o software que o define como "público". Na origem, a palavra refere-se ao que é do povo (populum), seja espaço de estar "em público" como num pub (bar), seja o que podemos designar por comum, ou "em comum" (commons), aquilo que se refere a "todos" é objecto de comunicação, ou publicitação, ou tornado público (published). Por aqui se chega à noção de que se trata do espaço "de todos", isto é, a entidade colectiva, que origina uma "vida pública". Na cidade é de "urbanidade", isto é, da qualidade de ser urbano, que estamos a falar. Mas público e multitude, serão o mesmo? "Querido público" é uma colectânea que explica a crescente expectativa de participação do público na obra artística - a arte invadiu a "intimidade contemplativa" e a visibilidade, com inesgotáveis "formatos" urbanos, da apropriação de espaços-tipo: musicais, panorâmicos, da publicidade, grafiteiros, happenings, flashmobs, o simples homem-estátua entre muitos outros. Na diminuição da distância, entre vida e arte, operam-se mutações na produção do espaço. A um ponto em que o espaço público se torna parte do "espectáculo", como espaço de representação, de flanneuries ou convicções. E a estetização do jogo democrático parece agora abarcar o mundo, através da conversão dos cidadãos em público (espectador) e da vida num espectáculo, de que não fazemos parte senão na qualidade de "público". Trata-se de um processo emancipatório, ou de um entretenimento, que outros decidem? Vem isto a propósito da necessidade de avaliar as novas "colectividades" e portanto conhecer de que se trata. Podemos dizer que "público" somos "nós", fórmula que enuncia os limites entre domínio próprio e domínio comum e a inclusão na pluralidade; mas é o "todos", que inclui como objecto e sujeito, os "outros", a comunidade de pessoas, passadas, futuras, e desconhecidas. O "público" só é um ente, porque designa um abstracto colectivo - "o Outro". O desafio do público como parte reactiva dum espectáculo não se situa na bi-direccionalidade do espaço cénico, antes se mantém em formatos espaciais diversos (os centros de lazer, de consumo e outros espaços do colectivo). (...)

 (…)

Mai 2013

Outros artigos em Entrevista

Imagem - FLORIAN IDENBURG

FLORIAN IDENBURG

FLORIAN IDENBURG, ARQUITETO INTERNACIONAL COM MAIS DE DUAS DÉCADAS DEEXPERIÊNCIA, É UM DOS FUNDADORES DO ATELIER SO-IL, EM NOVA IORQUE. TEM UMPERCURSO PROFISSIONAL MUITO LIGADO A ESPAÇOS INSTITUCIONAIS, TENDO LIDERADOPROJETOS… 

Nov 2020

Imagem - XI BIAU - BIENAL IBERO-AMERICANA DE ARQUITETURA E URBANISMO

XI BIAU - BIENAL IBERO-AMERICANA DE ARQUITETURA E URBANISMO

arqa (1) O título da presente edição da ARQA é “(NON) urban”. Que comentário lhe sugere este título no contexto de uma transurbanidade que, aparentemente, já não distingue o que… 

Mar 2020

Arquivo de Entrevista