arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista, Paula Melâneo

Raumlaborberlin

Novas Coletividades - Perspetivas Críticas

Coletivo de Arquitetos: Andrea Hofmann, Axel Timm, Benjamin Foerster-Baldenius, Francesco Apuzzo, Frauke Gerstenberg, Jan Liesegang, Markus Bader, Matthias Rick

arqa: Tendo em conta a pesquisa dos Raumlaborberlin em geral e o evento em Tempelhof, em Berlim, em que sentido vos interessa especificamente o fenómeno das novas coletividades?

R: O nosso interesse na ideia de coletivo já vem das abordagens experimentais e ideias utópicas de 1960, que tinham como objetivo uma sociedade melhor numa cidade melhor. A cidade que propunham era uma cidade de participação e desenvolvimento cooperativo. Os habitantes da cidade, os seus desejos e necessidades, assim como a sua perceção da cidade, tornaram-se num tópico da investigação urbanística. No contexto do desenvolvimento urbano, os coletivos são parceiros importantes que representam ideias e desejos de grupos não necessariamente homogéneos. As estruturas coletivas permitem ações poderosas com poucos meios financeiros, o que pode ser uma ferramenta forte na ativação de espaços. O aeroporto de Tempelhof deixou de ser usado em Outubro de 2008. Anteriormente ao fecho fomos convidados pelo departamento de planeamento de Berlim para trabalhar numa estratégia de ativação, focada nas formas de voltar a ligar este terreno fantástico ao tecido urbano. A meta da "Ideenwerkstadt Tempelhof" de 2007 a 2009 - uma cooperação que formámos em conjunto com a UC Studios e mbup, dois outros escritórios de Berlim - era a ligação com os utilizadores e trabalhar em formas de imaginar o futuro. Desenvolvemos o Conceito de Desenvolvimento Urbano Integrado_THF (Integriertes Stadtentwicklungskonzept THF) para servir de ligação a desenvolvimentos de curto, médio e longo prazo. Trata-se de uma abordagem estratégica que identifica utilizações pioneiras dos cidadãos de Berlim como geradores ou precursores de uma multitude de atividades urbanas e as integra, desde o início, no processo geral de desenvolvimento. Permite que os atores urbanos inventem formas de usar o local. Usos coletivos e temporários, a cena cultural, o transeunte, o hedonista, o dono do cão, o kite skater e muitos outros utilizadores diários do local são tidos em conta como parceiros importantes na ativação e processo de urbanização. À fase inicial de aprendizagem pela prática, de implementação de ideias e de ligação do espaço a diversas camadas da sociedade urbana, segue-se uma fase onde se inicia a tomada de decisões a longo prazo. Tudo isto possibilita um urbanismo mais inclusivo onde as ideias e objetivos se baseiam numa forma mais democrática de debate e realização. É também uma forma de reagir a uma sociedade diversificada e de mudanças rápidas.

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Mai 2013

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