
As conversas com os discentes não são fáceis. São preciosas, podem ser de fino recorte e elegantes, na explanação do intelecto e da ideia, afáveis e condutoras a territórios desconhecidos e inusitados, mas não são fáceis. A facilidade traduzir-se-ia pela plena dinâmica das partes e seria de desconfiar. Existem docentes e discentes, e muitas vezes os papéis invertem-se.
Num mundo acelerado e ambíguo, a velocidade de processamento da novidade da descoberta e da invenção, é dramática na sua velocidade de se fazer acontecer, perceber e relacionar. E os estudantes, receptivos e disponíveis que estão, avassaladoramente se agigantam nas malhas do deslumbre das subtilezas propostas e oferecidas. E os docentes muitas vezes refugiam-se na sedimentação dos seus conhecimentos e permitem que os discentes cavalguem desenfreadamente nas planícies do incógnito. Ou então refreiam-nos na tranquilidade lamacenta das certezas do passado e do déja vu. Pois.
Souto de Moura tem sabido manifestar-se de forma cuidada por entres estas hordas de potenciais arquitectos, desejosos e ansiosos de respostas coerentes, pragmáticas e objectivas. E poéticas. O projecto é a procura da inteligência. Encontre-se e conviva-se com esta delicada maneira de fazer formas e estas serem enunciadas de maneira elegante. A qualificação profissional de um arquitecto enuncia sempre uma vida e um modo de viver elegante, snob e cuidado. Os discentes percebem sempre um modo elegante de estar na vida e de por ela enunciar um modo de projectar e fazer, acontecem coisas, formas, aulas. Veja-se a preciosa imagem com os estudantes da Faculdade de Arquitectura e Sociedade do Politécnico de Milão, em 25 de Fevereiro, de 2005. Já deverão ter terminado os estudos e certamente a sua vida ficou mais qualificada pelo contacto com Souto de Moura, que com uma pose delicada academicamente acrescentará algo mais rico e qualificado à mera relação docente – discente. Pois ainda bem.
Jan 2009

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