arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Diébédo Francis Kéré

Contrastes Africanos | Perspetivas Críticas

Arquiteto, Professor HGSD E.U.A., Universidade Wisconsin, E.U.A., Academia de Arquitetura de Mendrisio

arqa: Tendo em conta a sua atividade em África, e no âmbito do fenómeno de urbanização global, qual a especificidade do contexto territorial, urbano e arquitetónico Africano?

DFK: Os principais constrangimentos que definem a arquitetura e o planeamento urbano africanos são: o clima extremo, a falta de trabalho qualificado e arquitetos e a falta de uma forte vontade política de mudança. Estas especificidades fazem da arquitetura em África algo para o qual estou a tentar contribuir. Os pontos altos da temperatura assim como uma forte estação das chuvas exigem métodos de construção específicos. A falta de vontade política atrasa, muitas vezes, as tentativas de inovação e criatividade, que são urgentes em África. Temos que encontrar uma forma de convencer e inspirar as elites políticas para apoiar novas formas de pensar urbanas e territoriais. A falta de trabalho qualificado e de arquitetos é outro desafio e significa que a força de trabalho tem primeiro de ser formada antes de ir para os locais de construção. Para remediar tudo isto, proponho um novo modelo em que o local de construção se transforma num local de formação. Os trabalhadores podem depois usar as suas competências recém adquiridas assim como treinar outros jovens. Um dos problemas significativos da falta de formação e de competências no mundo africano da construção é o facto de ter atrasado as inovações na arquitetura africana. Infelizmente, isto resultou em que estilos e planeamento ocidentais inadequados permanecessem a regra em muitas cidades africanas. Esta tendência começou depois das colónias, quando houve algumas tentativas de modernizar as cidades simplesmente colocando redes nas estruturas existentes sem ter em consideração as especificidades locais. Desde essa altura, as cidades têm crescido entre uma estrutura urbana importada do ocidente e a realidade da cidade africana. Este fenómeno continua um pouco por toda a África e coloca desafios para o planeamento urbano, territorial e arquitetónico.

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Out 2012

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