
A ideia de silêncio tem acompanhado o desenvolvimento da arquitectura ao longo da história. No entanto, como termo relacionado com a audição, o silêncio não se apresenta como um tema explicitamente arquitectónico, tendo em conta o tradicional domínio da visualidade na disciplina.
De facto, o silêncio não tem à partida uma tradução formal e visual directa em arquitectura. Apesar de tudo, parece claro que existe uma arquitectura do silêncio. Mas como pode o silêncio transmutar-se em experiência espacial? A interpretação mais comum terá uma origem tipológica, ou seja, relaciona directamente a procura de uma qualificação do espaço com o estruturar de determinada actividade. Nesse âmbito encontra-se tanto a arquitectura dedicada aos diversos cultos religiosos, evidenciando uma lógica de sacralização do espaço, como grande parte da arquitectura cívica nascida da revolução iluminista, reflectindo o programa de construção do universal humano.
A necessidade religiosa e política materializou-se então numa concepção arquitectónica estruturada pelo silêncio: no primeiro caso, convidando ao recolhimento num ambiente de humildade e austeridade, no segundo, convocando à participação numa atmosfera de dignidade solenidade. Quer como revelação da transcendência do sagrado, quer como representação da vontade do humano, esta arquitectura, física e espiritualmente silenciosa, materializava-se em formas definidas e legíveis e em espaços hierarquizados e interiorizados, matizados pela luz e sombra. Aqui o silêncio é real, experimentado, isto é, a ausência do som ou ruído é um correlativo da experiência do espaço arquitectónico.
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