
Simultaneamente comuns e poéticos, os objectos encontrados de Ana Pérez-Quiroga problematizam a memória, a lembrança, o apego, e a partilha. Nesta conversa com a artista, ela conta-nos a sua experiência durante uma residência artística em Xangai e os pontos de partida da sua exposição “Chinoiserie”, patente na galeria 3+1, em Lisboa, até 21 de Fevereiro.
arq|a: Esteve recentemente na China, numa residência artística como bolseira da Fundação Oriente. Porquê Xangai?
Ana Pérez-Quiroga: Parecia-me ser a cidade mais cosmopolita da China e congregava o lado cosmopolita e contemporâneo com a história e marcas do passado, tanto o chinês como o europeu. Ou seja, Xangai parecia-me satisfazer a fórmula: conheça a China numa cidade. Mais tarde, acabei por ficar tão apaixonada pela cidade que nem sequer fui a Pequim. Percebi que era ali que tinha de ficar. Não podia perder energias a viajar muito, a dispersar-me. Já havia tanto para absorver que era importante conectar-me com aquela cidade.
arq|a: O encontro com objectos, a prospecção de realidades e situações reais em permanente construção é uma das linhas essenciais do seu trabalho.
APQ: Os objectos são de facto a minha grande paixão, fascinam-me e prendem imediatamente o meu olhar. E sim, o meu trabalho decorre de uma prospecção, de uma procura, que às vezes é consciente, outras vezes, inconsciente. Quando cheguei a Xangai comprei uma bicicleta, que me custou apenas 9 euros e meio, e foi ela o meu meio de transporte. Na China, os transportes são muito baratos e com um euro podemos viajar de táxi durante horas, mas andar de bicicleta dá muito mais gozo.
A mobilidade é completamente diferente e, neste caso, permitiu-me agarrar a cidade. Estava perfeitamente disponível, parecia uma esponja, absorvia tudo e além do mais sentia um cansaço que também libertava a mente.
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