
Apelar à vida para contrariar a forma, eis o propósito de Robert Morris desde 1968, ano do seu influente artigo “Antiform”, publicado no número de Abril da revista Artforum – que levaria o galerista John Gibson1 a organizar uma mostra com esse mesmo título, e da exposição-manifesto “Nine at Leo Castelli”, organizada já em Dezembro pelo próprio Morris na galeria de Leo Castelli. Aí se reuniam não só trabalhos de artistas norte-americanos (para além do próprio Morris, Richard Serra, Bruce Nauman, Eva Hesse ou Keith Sonnier) como também de europeus (dois italianos associados à arte povera, Giovani Anselmo ou Gilberto Zorio) que investiam então numa estranha experiência de criatividade: uma arte que não provinha de um projecto de composição formal, mas de uma transmutação processual das propriedades inerentes aos materiais utilizados na sua produção, apelando ao sentimento de efemeridade na revelação de formas baixas e inesperadas, não controladas pela racionalidade do criador ou pela sua tradição visual.
Já em finais de 1966, em plena euforia da arte de “estruturas primárias” (depois apelidada de minimalista), a crítica de arte Lucy Lippard havia apresentado uma exposição sob o título de “Eccentric Abstraction” que questionava abertamente a rigidez ainda formalista, apesar de tridimensional, do minimalismo, revelando nos trabalhos de Louise Bourgeois, Eva Hesse ou Kenneth Price, vestígios de uma desarticulação formal onde se podia subentender a importância do processo no aparato da obra de arte. Desde então, e com as exposições organizadas em 1968 em Nova Iorque a acentuarem essa tendência de reflexão e prática artística, o processo passava então a ser valorizado como algo com valor estrutural, enriquecedor da experiência criativa e, ao mesmo tempo, da receptividade do observador que podia entender no aparato da obra a experiência do tempo e a sua influência decisiva no resultado essencial do trabalho artístico.
Daí nasceria uma força de intervenção artística que viria a designar-se de pós-minimalista, pois pretendia ultrapassar de vez toda e qualquer estabilidade formal, optando por uma arte mais próxima do efémero da vida.
(…)Out 2008

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