

Ao falar-se em ruralidade, e num contexto como o do design, não poderemos desenvolver um discurso sem mencionar as tensões existentes entre uma cultura dita de design, urbana, e uma cultura do rústico. Sobre este tema assomam várias questões. Em primeiro lugar a relação entre os aspetos práticos do design de artefactos e os aspetos sociais e culturais que estão associados a uma vivência de natureza rural do design. Depois o design não pode, neste contexto, aspirar a uma verdade universalista, dado que se baseia numa abordagem de cariz secular, mais do que de aspiração a uma verdade absoluta sobre o que é o design ou sobre a possibilidade de se superar a si mesmo histórica e culturalmente. Pois que de rural se pressupõe o manter de um valor tradicionalista, desde que funcionalista e económico. Outro dos aspetos a ter em consideração é o fosso cultural que se estabelece, talvez por erro de formação, na abordagem tradicionalista que os designers (ensinados nas grandes cidades) fazem dos temas da ruralidade e dos artefactos aí existentes e que testemunham esses modos de vivência do campo. A abordagem do design feita pelos designers que se formaram em culturas urbanas, de natureza essencialmente industrialista, com sistemas de valores assentes no artigo em série e na curta vida dos objetos, carecem de conhecimentos que permitam auferir ou descortinar, com clarividência, o verdadeiro valor das coisas no seio rural. Como por exemplo, conseguir olhar para os artefactos rústicos sem criar juízos de valor.
Um dos aspetos dessa limitação poderá ser o de encararem o produto provindo do seio rural como sendo de inferior valor. Sempre se entendeu como superior o avanço e desenvolvimento tecnológico dos objetos resultantes da produção industrial, em série. Mas o que acontece é que as mentalidades estão a mudar. E o design, para existir, como definição, e como disciplina autónoma, já não depende da produção em série. Hoje é mais fácil dizer-se que um objeto único é design, sem que essa afirmação constitua uma heresia para quem a recebe, ou uma expressão de total loucura.
Mar 2012

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