
Na dicotomia forma/informe, que hipótese de raciocínio crítico se abre?
A Cultura parece legitimar a Forma como categoria fundadora do conhecimento e remete o seu contrário – o informe – para um papel subalterno; e pelo menos desde Goethe que a forma é condição de base da construção da consciência humana. assente sobre um fundamento comum, entre aquele que procura e aquilo que é procurado.
Inquestionável é que muita da produção artística contemporânea coloca a questão do informe como modelo de superação artística dos limites da própria arte, enquanto acção e actividade socializada.
Arte e infinito
Como é que a arte lida com esta problemática? No dispositivo (Foucault) e como produção de acontecimentos estéticos. A história das formas é também a do informe que vai sendo trazido à Luz. No gesto de um pintor que ensaia a sua linguagem (Klee), na proposição de situações de um infinito sensível imediato (Kapoor). Em Turrell, o infinito é, por exemplo, a forma ‘natural’ por via da qual acedemos ao informe.
Para lá das formas – e da própria problemática da abstracção redutoramente estabilizada pela História de Arte – parece existir um saber – um não-saber activo – que encontra no informe a sua metáfora-espelho. A metáfora é o informe produtivo, atingindo no género aforístico uma concentração máxima; ela tem uma capacidade de dispersão significativa com um carácter fluído, dinâmico, em permanente construção.
Nas Artes Plásticas que se têm afirmado após a estabilização histórica das vanguardas, o informe irrompe como uma operação metafórica cujos múltiplos tropos – o nada, o caos, o processual, a luz – abrem diversos núcleos de instrumentalidade. Há na arte contemporânea mais musculada um informe político, no sentido de uma edição contínua e socialmente participada do mundo das imagens, do mundo das coisas e do mundo
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