em: Design/Designers
Cada material potencia, e gera, uma determinada forma e, desse modo, o designer, atento ao que o material comunica, desenha em função, também, desse mesmo material, de forma natural, sem tentar enquadrá-lo em tipologias várias, ou forçá-lo a ir contra a sua própria natureza.
Uma das características que se pode observar nos designers da nova geração é a sua atenção para com os materiais. O que podem dar, a expressão que potenciam, as funcionalidades que originam. Numa perspetiva mais minimalista, do material em bruto, escuta-se a sua natureza, na forma mais subtil, opta-se por estar mais atento ao seu silêncio. Ao silêncio do material, ao que lhe é intrínseco.
Na verdade, como diriam Peter e Charlotte Fiell, a propósito de Ross Lovegrove, sobre a atenção dada aos materiais, trata-se de saber detetar as suas qualidades poéticas. Cada material potencia, e gera, uma determinada forma e, desse modo, o designer, atento ao que o material comunica, desenha em função, também, desse material, de forma natural, sem tentar enquadrá-lo em tipologias várias, ou forçá-lo a ir contra a sua própria natureza. Segundo Peter e Charlotte Fiell, é como que ficar atento ou focar-se nas propriedades técnicas, estéticas e funcionais, que cada material fornece. Se estamos mais atentos ao comportamento dos materiais, à sua forma natural, vamos gerar novos modos de ver, novos modos de dar forma, novas estéticas, reequacionando as já existentes. Num certo sentido é deixar fluir. Deixar o material “falhar”, ou aquilo que consideramos falhar. Abraçar o erro ou aquilo que parece, à partida, errado. Acarinhá-lo porque será justamente esse erro que dará pistas para novos caminhos. Em conversa com Vítor Agostinho, aquando da inauguração da exposição Polaroid, na Lisbon Gallery – Design & Architecture, falou-se justamente nesse erro e em permitir que o erro e a falha ditem resultados, que tornem cada peça diferente da outra. O grande problema inicial na prática do design industrial foi mesmo esse, o não permitir a tal bolha ou mancha, o erro que se formava à superfície dos objetos em cerâmica, por exemplo, e que os tornava únicos. (…)
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O ready-made, apresenta-se, muitas vezes, como território material, amplo, capaz de fazer testar novas fronteiras criativas. Em design, os objetos, ou fragmentos dos mesmos, destituídos das suas funções iniciais, são matéria para reinvenção ou reinterpretação da forma, suporte de agregações novas de significados, combinação de novas estruturas, a fim de responder a novas necessidades. Podemos recordar-nos, em arte, do uso extensivo da reutilização, como Picasso o fez com o assento e maçanetas de uma bicicleta, simulando uma máscara de um touro, ou um carro em miniatura que o mesmo artista transformou em cabeça de macaco (Couturier, 2010). Todos conhecemos Duchamp e as experiências que realizou, usando objectos e transformando-os em “obras de arte”. Ao ready made está associado o risível. Justapor elementos ou fragmentos de objectos, uni-los, com significados, aparentemente antagónicos, desperta o riso. Reutilizar significa também a capacidade de o autor se distanciar da realidade e produzir, muitas vezes objectos com humor. Em “O Riso” Bergson refere: “O riso é a mecânica aplicada do ser vivo”, o riso como condutor, motor, de associações aparentemente inusitadas, fazem-nos reflectir sobre novas formas de pensar, novos paradigmas, fazendo-nos, como atrás descrito, distanciar de nós mesmos. Segundo Couturier, reutilizar é também como que um exercício de distanciamento: “reutilizar permite ao designer demolir as convicções do que é o bom ou do que é o mau design. Apenas pela alteração do campo de operação habitual, ele pode criar outro entendimento do ambiente” (Couturier, 2011). (…)
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