arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

Adega do Castanheirinho Águeda| Castanheirinho’s wine cellar, Águeda

Arquiteto Architect João Albano Fernandes

Nome do projeto Project name Adega do Castanheirinho, Wine Cellar

Datas do projeto Project dates 2016-2018

Localização location Aguada de Cima, Águeda, Portugal

Cliente owner Castanheirinho, sociedade Agrícola lda.

Áreas surface 550m2 estruturas structures André Fraga

Engenharia engineering André Fraga

Eletricidade electricity André Fraga Inst.Mecânicas engineering André Fraga

Águas e esgotos Water supply and sewer system André Fraga

Paisagismo landscaping Iluminação lighting Fotografia Photos Ivo Tavares studio

 

[in english below]

O lote localiza-se na vila de aguada de cima, concelho de águeda, rodeado de terrenos agrícolas e florestais. Conflui topograficamente para o seu ponto central, que se eleva ligeiramente em relação aos seus limites e é precisamente aqui que pousa o edifício, sobranceiro sobre o terreno. A sua composição é clara, três volumes de duas águas que se intersetam num mesmo ponto e estabelecem, a partir desse ponto, relações diretas de ligação e funcionalidade. O edifício tem dois pisos, sendo um deles enterrado. O piso da cave é um espaço amplo de arrecadação que pretende beneficiar das vantagens térmicas do contacto com o solo. O piso de rés-do-chão contempla uma zona de produção, uma sala de provas, instalações sanitárias e garagem, com quatro lugares de estacionamento, para albergar parte da coleção de carros antigos do cliente. Os dois pisos são servidos por um montacargas que fará o transporte de cargas pesadas de um piso para o outro. O edifício é inteiramente revestido a chapa metálica branca, em paredes, cobertura, portas e portões de garagem. O branco é assumidamente dominante no exterior. No interior, procuraram-se materialidades e texturas mais ricas como o betão, a madeira e o microcimento. O pavimento e lambrins das zonas de trabalho pretendem-se resistentes e facilmente laváveis, pelo que se optou pelo epóxi, como solução. A zona de produção é um espaço declaradamente dramático na sua volumetria devido ao seu pé-direito alto e à inclinação acentuada das duas águas. O lagar ao fundo da “nave”, numa posição axial e ligeiramente sobrelevada, é o altar do vinho: assume um caráter cénico e transforma a perceção do lugar. Por sugestão do cliente, a garagem está ligada visualmente à zona de produção por vãos envidraçados que formam uma espécie de montra dos carros antigos.

 

The plot is located in the village of Aguada de Cima, Águeda, and is surrounded by agricultural and forestry lands. The terrain converges topographically to its central point, which rises slightly in relation to its limits and that’s where the building implants itself. Its composition is made of three gable roof volumes that intersect themselves at the same point and establish direct relations of connection and functionality. The building has two floors, one of them underground. The underground floor is a large storage that seeks to benefit from the thermal advantages of the contact with the soil. The ground floor includes a production area, a tasting room, a lab, bathrooms and a four parking garage to the client’s classic car collection. The two floors are served by a freight elevator that transports heavy loads from one floor to another. The building is entirely coated in white sheet metal on walls, roof, doors and gates. White is admittedly dominant abroad. In the interior, richer materials and textures were sought, such as concrete, wood and microcement. The pavement and wainscots of the working areas are intended to be resistant and easily washable so epoxy was applied. The production area is quite dramatic in its volumetry due to its high and steep sloped ceiling. The winepress at the bottom of the nave, in an axial position and slightly raised, is the wine altar, which assumes a scenic character and transforms the perception of the place. The garage is linked to the production area by glazed panels that form a sort of showcase of the classic cars.

Museu do MegalitisMo, Mora | MORA’s MuseuM Of MegAlithisM

Atelier Office CVDB ARQUITECTOS Associados e Tiago Filipe Santos Arquitetura

Autoria e Coordenação Architecture Authorship and Coordination Cristina Veríssimo; Diogo Burnay; Tiago Filipe Santos

Projeto Expositivo Expository Project Autor Author P-06

Diretores de Projeto Project Directors Nuno Gusmão e Paulo Costa;

Desenvolvimento Development Pedro Anjos (design) + Simão Botelho (arquitetura, architecture)

Consultor em Museologia Museology Adviser Prof. Dr. Leonor Rocha

Colaboradores Collaborators Joana Barrelas; Rodolfo Reis; Ilaria Anselmi; Hugo Nascimento; Eliza Borkowska; Magdalena Czapluk; Elizabeta Vito

Procedimento Procedure Concurso Público Internacional – 1º Prémio International Public Competition - 1st Prize

Datas do projeto Project dates Concurso Competition 2012;

Projeto Project 2013;

Obra Construction 2016

Localização Location Mora, Alentejo, Portugal

Cliente Owner Município de Mora City Hall

Área de Construção Construction Surface 1.200,00 m²

Área de Paisagismo Landscaping Surface 1.100,00 m²

Custo Total de Construção Total Cost 2.200.000,00 €

Empreiteiro Contractor Costa & Carvalho

Engenharia Engineering Projectual Paisagismo

Landscaping arquitectos architects - Maria João Fonseca e Armando Ferreira

Fotografia Photos Fg+Sg

 

[in english below]

Museu do Megalitismo integra a antiga estação de caminho-de-ferro de Mora e localiza-se junto ao jardim público, a construir futuramente, no centro da vila alentejana. Pretende-se que o edifício seja uma referência, na vila e no distrito de Évora, contribuindo para incrementar a oferta cultural nacional, dada a relevância museológica e patrimonial dos achados arqueológicos referentes ao período do megalítico, descobertos na região. A antiga estação de caminho-de-ferro é um edifício icónico que pertence ao Património ferroviário Nacional, enraizado na memória coletiva dos habitantes. O projeto pretende clarificar e reforçar o valor patrimonial dos edifícios existentes, num gesto de reabilitação cuidada. O projeto assume uma lógica diacrónica, onde o que é relevante e permanente se mantém e onde o que é novo e substantivo se acrescenta à história. O Museu do Megalitismo é constituído por quatro edifícios distintos, interligados linearmente por uma galeria. Os dois edifícios centrais são reabilitados e nas extremidades do conjunto são construídos dois corpos novos, que integram o espaço expositivo principal, a poente, e a cafetaria, a nascente. A antiga plataforma de espera da estação é também reabilitada, sendo o elemento conceptual unificador do projeto e parte integrante de uma galeria exterior coberta - elo de ligação unificador do conjunto edificado. A galeria interliga os diversos programas e envolve as circulações, sendo também um espaço flexível que possibilita a integração de conteúdos expositivos alternativos. A sul, a galeria oferece a possibilidade de abrir-se para o espaço público. No topo nascente, a galeria permite o encerramento a zona de cafetaria, para que possa ser utilizada de forma independente, juntamente com a esplanada que remata o complexo do museu, e relacionar-se com o jardim público. Na extremidade poente da galeria, encontra-se o espaço expositivo principal, cuja dimensão lhe confere a flexibilidade necessária para albergar este tipo de programa. Conceptualmente, a exposição permanente é entendida como uma topografia que simula um campo de escavação arqueológico. Pretendese estabelecer uma relação entre a exploração do espaço expositivo e a exploração do território onde se encontram monumentos típicos do período megalítico – os dolmens e as antas. O espaço expositivo proporciona assim uma experiência espacial e uma experiência de aprendizagem e conhecimento do período do megalítico. Os dois edifícios existentes (antiga estação e armazém) foram reabilitados tendo em conta os conteúdos programáticos e as novas exigências funcionais e infraestruturais. Na antiga estação alterou-se apenas a compartimentação interior. É neste edifício que se localiza a entrada principal do museu, bem como a biblioteca e a administração. O armazém tem um caráter polivalente, direcionado para a realização de atividades educativas infantis através de conteúdos interativos, permitindo ainda albergar workshops, conferências e exposições temporárias. O espaço
mantém-se amplo, sem compartimentação, preservando-se a sua volumetria e exaltando-se a configuração original da estrutura da cobertura. Nos edifícios existentes procurou-se utilizar materiais e técnicas construtivas compatíveis com a construção tradicional original, nomeadamente: argamassas à base de cal, telha cerâmica, mosaico hidráulico, caixilharia e estruturas/asnas em madeira. Nos edifícios novos os materiais utilizados integram-se na lógica global do conjunto, mas assumem uma linguagem contemporânea. A galeria e o embasamento dos edifícios novos são abraçados por uma “pele”, constituída por painéis recortados em alumínio lacado, cuja iconografia se baseia na interpretação de desenhos geométricos presentes em placas de xisto – achados arqueológicos referentes ao período megalítico. esta “pele” é uma referência ao conteúdo do museu e percorre todo o projeto. estes painéis permitem a exploração de variações luz/sombra e transparência/opacidade, ao longo dos diversos espaços, tendo em conta as suas características particulares. Ao final do dia o edifício ganha uma luz própria, através da retroiluminação dos painéis, marcando a sua presença. A presença da madeira é um aspeto fundamental na tectónica e na preservação da memória coletiva dos edifícios aqui reabilitados. Procura resgatar-se as antigas estruturas de madeira, como elementos fortemente caracterizadores da arquitetura original, colocando-se em absoluta evidência a beleza do detalhe, do encaixe, da assemblagem, da textura e da matiz cromática do material. Da madeira como estrutura (asnas e vigas) à madeira como revestimento (pavimentos, tetos e guardas). O edifício tira pleno partido da expressão e das características físicas do material em várias situações que expressam a versatilidade e diversidade de possibilidade de aplicações da madeira na construção. Propõe-se um percurso expositivo através de uma maquete topográfica. Uma representação abstrata de um local arqueológico tipificado, onde metodologicamente se impõem geometrias e métricas rigorosas que se sobrepõem ao território natural, desenhando-o. No território criado desenham-se circulações, espaços expositivos, momentos contemplativos, que resultam em quatro volumes distintos, que acompanham o discurso expositivo de acordo com o guião definido. O conjunto é composto por lâminas de madeira de grande dimensão, justapostas e encaixadas, criando uma grande topografia cenográfica que serve de suporte a todos os conteúdos expositivos, assimilando vitrines, mesas multimédia, maquetas, imagens gráficas e a iluminação. entre a opacidade e a transparência a exposição revela-se à medida que descobrimos cada núcleo expositivo.

 

The Museum of Megalithism integrates the existing buildings of Mora former Railway Station. It is located next to the public garden, in the center of this Alentejo village. It is intended that the Museum becomes a reference to the village and to the district of Évora, contributing to increase the national cultural offer, due of the heritage relevance of the archaeological findings related to the megalithic period, discovered in the region. The former railway station is an iconic building that belongs to the National Railway Heritage and is rooted in the collective memory of Mora inhabitants and visitors. The project aims to clarify and reinforce the heritage value of the existing buildings in a gesture of careful rehabilitation. It assumes a diachronic logic, preserving what is relevant and permanent and adding substantial new buildings and elements to its history. The Museum consists of four distinct buildings, linearly interconnected by a gallery. The two central buildings are rehabilitated and at the end of the ensemble two new buildings are added in order to integrate the main exhibition space, and the cafeteria, east orientated. The old station’s waiting platform is also rehabilitated, being the unifying conceptual element of the project and an integral part of a covered outdoor gallery - the unifying connector between the buildings. The gallery interconnects the various programs and involves the circulation, being also a flexible space that allows the integration of alternative exhibition contents. The gallery offers the possibility to open itself to the public space facing south, to the street that gives access to the museum. At its’ eastern end, the gallery allows the cafeteria to be closed, so that it can operate independently with an outdoor terrace that bookends the museum complex and connects it to the new public garden, located north of the museum. The main exhibition space is located at the western end of the gallery. The gallery dimensions allow this space to be used with considerable flexibility to accommodate a diverse type of programs and activities. Conceptually, the permanent Main Exhibition space is understood as a topography that simulates an archaeological excavation field. It is intended to establish a relationship between the exploration of the exhibition space and the exploration of the territory, where the monuments of the megalithic period - the dolmens - are typically located. The exhibition space thus provides both a learning and knowledge experience and a spatial experience of the megalithic period. The two existing buildings (the former Railway Station and the Warehouse) were rehabilitated considering the Museum program content and its’ new functional and infrastructural requirements. Inside the old station, the interior organization of the spaces changed. The main entrance to the museum, as well as the library and the administration area are located here. The warehouse has a multipurpose character, directed to children’s educational activities through interactive content, as well as to host workshops, conferences and temporary exhibitions. The space remains open, without any compartmentalization, preserving its volume and extending the original configuration of the roof structure. In the existing buildings construction materials and techniques compatible with the original traditional construction technologies were used, namely: lime-based mortars, ceramic tile, hydraulic mosaic, wooden window frames and wooden trusses. In new buildings, contemporary construction materials and languages are used and integrated within the overall logic of the project. The gallery and the basement of the new buildings are involved by a “skin”, consisting of cut-out panels in lacquered aluminum. The panels’ iconography is based on the interpretation of geometric drawings present in shale plates - archaeological findings referring to the megalithic period. This “skin” is a reference to the museum’s content and runs throughout the entire project. These panels allow the exploration of light / shadow and transparency / opacity variations throughout the various spaces, considering their diverse characteristics. In the evening the Museum glows through the backlighting of the panels, marking its presence in the town of Mora. The presence of wood is a fundamental aspect in its’ tectonics and in the preservation of the collective memory of the rehabilitation of the existing buildings. It seeks to recover the old wooden structures, as strongly characterizing elements of the original architecture of the railway station, placing in absolute evidence the beauty of the detail, fit, assembly, texture and chromatic hue of these materials. Wood is used as structure (trusses and beams) as well as finishes (floors, ceilings and walls). The building takes full advantage of the material’s expression and their physical characteristics, expresses the versatility and diversity of wood applications in construction. The permanent exhibition circuit is proposed through experiencing a topographic model. This is an abstract and typological representation of an archaeological site, where methodologically rigorous geometries and metrics are superimposed to the natural territory. Circulation, exhibition spaces and contemplative moments are designed in the exhibition territory created, resulting in four distinct volumes that accompany the exhibition narrative according to the defined script by the Museum and archaeology consultants. The exhibition design is made up of large juxtaposed and embedded wooden blades, creating a large scenography topography that supports all the exhibition contents, assimilating showcases, multimedia tables, models, graphic images and lighting. Between opacity and transparency, the exhibition contents reveal themselves as long as we discover each exhibition core.

Casa da Literatura, QuebeQue, Canadá | Literature House, Québec, caNaDa

arquiteto architect Chevalier Morales architectes

Colaboradores Collaborators eMs ingénierie, stantec (Dessau), Boudreau Fortier huot Œuvre d’art public / Éphémères durables, de Mathieu valade

nome do projeto project name Casa da literatura literature house

Datas do projeto (final dsa obra) project dates (end of work) 2017

localização location Bairro vieux-Québec, Canada

Cliente owner Cidade do Quebeque Quebec City

Áreas surface 1920m2

Capacidade Capacity 235 pessoas sentadas 235 seats

 

[in english below]

A casa da Literatura situa-se na área do Vieux-Québec, uma zona histórica classificada Património Mundial da UNESCO. Neste contexto urbano particularmente exigente, Chevalier Morales propõe um anexo contemporâneo de volumetria simples, depurado do templo Wesley, igreja património neogótico. Desde a sua abertura, a Casa da Literatura tornou-se rapidamente uma montra incontornável da Literatura do Quebeque e paragem apreciada do percurso turístico da velha cidade. Com origem num concurso, o projeto ganhador de Chevalier Morales propunha uma solução completamente inédita, que ultrapassava as espectativas da encomenda inicial. Na conceção, os arquitetos escolheram prolongar uma parte do programa para o exterior do templo Wesley, construindo um novo anexo, para uma entrada mais transparente e universal. esta estratégia permitiu também libertar o templo de um programa complexo e devolver-lhe toda a amplitude do seu espaço de origem, de outro modo comprometida. Além dos espaços da biblioteca, o programa único e inovador da casa da Literatura comporta uma sala de espetáculos, um bar, um espaço de exposições temporárias, uma exposição permanente, um apartamento residência de escritores, estúdios de criatividade, salas de projeção e de formação, bem como um estúdio de criação multimédia o templo Wesley, construído em 1848, passou a biblioteca pública em 1944 e incluía uma sala de espetáculos e outra de conferências, do Instituto Canadiano, tendo esta última fechado ao público em 1999. a nova casa da Literatura permitiu ao instituto retomar a sua missão de divulgação da literatura do Quebeque, mantendo-se uma das mais antigas bibliotecas públicas da província do Quebeque. Parte transparente, o novo anexo, de proporções estranhamente familiares, reinterpreta as formas do tecido urbano existente. Oferece uma nova “cara” aberta e contemporânea ao instituto, fazendo-se agora a entrada principal, de forma natural, pela subida da calçada Des Ecossais, no eixo da rua St. Stanislas. O revestimento exterior, em vidro, sobrepõe-se a uma série de painéis metálicos, que compõem um baixo relevo intrigante. O anexo, de linhas simples, reflete a envolvente imediata e integra-se, delicadamente e sem mimetismos, no contexto urbano histórico do bairro Vieux-Québec.
Na sua relação dialética com o templo original, este acrescento contemporâneo leva a instituição ao século XXi, à era dos e-books e dos poemas no Twiter. Nos pisos superiores, abriga os espaços dedicados à criatividade – oferecendo algum distanciamento e permitindo uma vista sobre o rio e a velha cidade. A totalidade dos serviços eletromecânicos, necessários ao bom funcionamento da instituição, localizam-se na cave. os vários acessos possíveis promovem um sentido de liberdade, sendo feitos pela porta original do templo e pelo estacionamento – que dá aceso ao anexo, pelas traseiras. Tal como o acesso principal, todos os outros convergem de modos diferentes para a grande abertura circular, na plataforma da biblioteca e diretamente sob o candelabro contemporâneo. Estes elementos constituem o centro do conjunto, ligando verticalmente a sala de espetáculos e o bar com o espaço principal das coleções. Na sua forma circular e múltiplos níveis, a nova sala de espetáculos do instituto fecha-se sobre si própria, pela interceção de painéis acústicos, concêntricos deslizantes, integrados no teto. acima, a biblioteca usufrui de uma grande luminosidade, acentuada pela frescura do espaço. Acessível por uma escada escultural em caracol, encontra a espacialidade generosa da igreja de origem. Aí, vários detalhes foram mantidos, nomeadamente as janelas em ogiva e os baixos relevo do teto, que se harmonizam com o mobiliário contemporâneo e as prateleiras. é através destes numerosos compostos programáticos que se desenha o percurso da exposição permanente, sobre o tema da liberdade na literatura do Quebeque. Os arquitetos conceberam e integraram cuidadosamente a cenografia museológica nos três pisos da Casa da Literatura, na passagem do anexo ao templo. a abordagem de inserção, preconizada pelo novo anexo, era de valorizar, de complementar e de preservar o valor patrimonial do edifício existente, tanto no interior, como no exterior. O anexo revela-se um forte sinal disso mesmo e evita alterações da composição arquitetónica existente. O projeto propunha igualmente um importante trabalho de restauro das persianas e das madeiras das janelas do edifício, de inspiração gótica inglesa. o anexo de vidro, pela qualidade dos seus materiais, pela transparência e pela simplicidade nos detalhes, estabelece um diálogo material e formal com o edifício existente, em pedra. Simples e bem controlado, o revestimento do anexo não rivaliza com a riqueza e grande qualidade dos detalhes e composições da estrutura histórica existente. A Casa da Literatura revela um diálogo entre o passado e o presente do bairro histórico do Vieux-Québec. a casa da Literatura foi laureada nomeadamente com o Grande Prémio de Excelência e o Prémio de Excelência, na categoria Edifício cultural, pela ordem dos arquitetos do Quebeque, bem como recebeu a Medalha do Governador Geral, pelo Real Instituto de Arquitetura do Canadá e pelo Conselho das Artes do Canadá.

 

Maison de la Littérature (House of Literature) is located in the historic neighbourhood of Old Québec, a site part of UNESCO’s World Heritage List. In this particularly dense urban setting, Chevalier Morales designed a contemporary annex, a simple and refined volume, to the Wesley Temple, a neo-Gothic heritage church. Since its opening, the Maison de la Littérature has rapidly become a vibrant home to Québec literature and a popular touristic destination in Old Québec. Coming from an architecture competition, the winning project by Chevalier Morales proposed an unforeseen solution, a response exceeding the initial commission’s expectations. The architects chose to move part of the program into a new annex outside the church space to provide a more transparent and universal entrance. This strategy also helped declutter Wesley Temple, allowing the architects to preserve and restore the original spatiality of the overall structure. Along with the library spaces, the Maison de la Littérature’ s unique and innovative program also includes a concert/lecture hall, a café, a temporary exhibition space, a permanent exhibition, a resident writer’s apartment, creation studios, a projection room, a classroom as well as a multimedia studio. The partly transparent and strangely familiar shape of this new annex gives an open, contemporary feel to the Institut Canadien de Québec, the main entrance of which is now accessed naturally from the bottom of the sloping Chaussée des Écossais where it intersects with Rue St-Stanislas. The outer shell of the façade, in glass, overlaps a series of metallic panels with an underlayer of perforated brass sheets, which compose an intriguing low relief. The annex, with simple lines, reflects the immediate surroundings and integrates, delicately and without mimicry, in the historical urban context of the Vieux-Québec neighbourhood. In its dialectic relationship with the original temple, this contemporary extension brings the institution to the 21st century, the era of e-books and poems in the Twiter.
Houses in the upper levels the creative spaces - offering some distance and allowing impressive views over the river and the old city. All the electromechanical services necessary for the proper functioning of the institution are located in the basement. The possible accesses promote a sense of freedom and can be done by the original temple door and by the parking lot - which gives access to the annex at the rear. Like the main access, all accesses converge differently to the large circular opening, on the library platform and directly under the contemporary chandelier. These elements form the heart of the building, connecting vertically the café, two exhibition areas and the library collections. With its circular shape and multiple levels, the new concert and lecture hall can be isolated through concentric and sliding acoustic panels integrated to the ceiling. Above, the library enjoys a great luminosity, accentuated by the freshness of the space. Accessible through a sculptural white spiral staircase, it embraces the generous spatiality of the original church, including carefully restored elements from previous transformations that highlight the place’s rich social and spatial history. Accessible by a snail-shaped staircase, it finds the generous spatiality of the original. Here, original features like the ogive windows and the ceiling’s mouldings blend harmoniously with the contemporary furniture. It is through these numerous programmatic compounds that the course of the permanent exhibition, on the subject of freedom in the literature of Quebec, is drawn. The architects carefully designed and integrated the museological stage on the three floors of the House of Literature, in the passage from the annex to the temple. The insertion approach used for the new annex is aimed primarily at showcasing, complementing and preserving the heritage value of the existing building. The extension emerges as a strong symbol of the redeveloped heritage space and avoids altering the architectural composition of the existing structure. The project also included a significant restoration component for the building’s masonry and English gothic church windows. The glass annex with its high-quality materials, its transparency, and its detail simplicity, establishes a material and formal dialogue with the existing stone building. Simple and well-controlled, the annex skin does not rival with the richness and great quality of the details and compositions of existing historical structure and masonry assembly. The Maison de la Litérature creates a dialogue between the past and present of the historic neighbourhood of Old Quebec City. The House of Literature was awarded namely with the Grand Prix of Excellence and the Prize of Excellence in Cultural Building category by the Quebec Architects Association, as well as the Medal of the General Governor, the Canadian Institute of Architecture and Council of the Arts of Canada.

Escola dE tEcnologia E gEstão dE BEja | Beja’s school of Technology and managemenT

Arquiteto Architect Nuno Montenegro (M.AR studio)

Projeto Project Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Beja School of Technology and Management

Datas Dates 2003-2016

Localização Location Beja, Portugal

Cliente Owner Instituto Politécnico de Beja

Área Surface 6.500 m2

Custo Cost 6.000.000,00 €

Empreiteiro Contractor UDRA, Gabriel Couto

Estruturas Structure Acet TPF Planege

Eletricidade Electricity Acet Inst.Mecânicas Engineering Acet

Águas e Esgotos Water Supply and Sewer System Acet

Paisagismo Landscaping Nuno Montenegro (M.AR studio)

Fotografia Photos FG+SG
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A melhor escola que conheço é um convento religioso transformado num convento de ideias. entre estas duas funções foi hospital, quartel e residência. o convento tem mais de sete séculos. É funcional e é belo. foi transformado ao longo do tempo, adaptado - mas a sua estrutura base, tão sólida e flexível, permaneceu intacta. Esta qualidade intrínseca é um leitmotiv para partirmos para a questão crucial do projeto. como conceber uma escola? como fazê-la emergir num processo administrativo de projeto, longe da fundação do seu princípio basilar de congregação espontânea do pensamento? os ingredientes são claros. Uma escola, como parte integrante da estrutura funcional de uma cidade, tem um vasto campo de ação sobre a representação da própria sociedade. Projetar uma escola é, por isso, um exercício sobre o pensamento, sobre a evolução das ideias e das técnicas de uma sociedade. É uma porta aberta para um espaço de exploração. Não é um processo fechado. o suporte é, por isso, essencial neste processo dinâmico. a construção - a matéria - tem que proporcionar amplitude de ação. amplitude de funcionamento, de reconversão, de adaptabilidade, de vivência. acima de tudo tem que ser prospetiva. e isso implica que tem que ser flexível. Temos então o suporte. Salas modulares, subdivisíveis, entradas alternativas, “paredes caixa” para infraestruturas corridas ao longo das salas, para proporcionar alteração de funções e equipamentos, corredores largos e escadas largas. A base do “convento” está assim delineada. O barro pode ser moldado pelo utilizador ao longo do tempo. A questão do “locus” - a fundação geográfica da construção - não é menos importante. Paredes espessas, aberturas reduzidas, branco refrescante nas superfícies interiores e exteriores. Mas a questão do “locus” não termina nas condicionantes climatéricas. A manipulação dos volumes construídos na modelação do terreno é endémica da arquitetura portuguesa. O edifício é muito maior do que parece. Ao rodear o edifício pouco se percebe da diferença de cotas que se vai lentamente absorvendo nas paredes da construção. a relação dos volumes e dimensionamento/visualização dos vãos coadjuvam na redução da escala. a maior escola do Politécnico de beja parece ser a mais pequena e a mais inserida no terreno - que beneficia de uma mata. Mas vale a pena retornar um pouco à reflexão inicial: a questão do que representa o conceito escola. Do que significa habitar intermitentemente uma construção dedicada ao pensamento que necessita de uma estrutura institucional. este aspeto é muito importante na conceção do edifício. O edifício foi gerido como um agregado de componentes que invocam interrogações. o conceito é interrogar, para posteriormente procurar respostas e, finalmente, aprender com esse processo informal de obtenção e transformação da informação. como se processa esse conceito no edifício? De uma forma indireta, o edifício oferece diversas formulações em trajetos imaginários. Interrogações que deixarei apontadas, mas às quais não responderei, porque a resposta faz parte do processo. Algumas das interrogações mais visíveis são: as figuras humanas recortadas em paredes e portadas, as portas estreitas e altas no interior e largas e baixas no exterior, os corrimãos em escada, o H2O em baixo relevo no teto da sala de convívio, a sanca em lágrima na escada do piso inferior, o azul em nichos iluminados, o alçado sul sem vãos evidentes, à pequena porta da entrada principal, a que se sucede um espaço de 15 metros de altura, a repetição de vãos interiores, anulando hierarquias espaciais adjacentes, os balcões da entrada em formas oculares, e também o branco obsessivo e etéreo.

 

The best school I know of is a religious convent transformed into a convent of ideas. In between those two duties, it served as a hospital, a military barracks, and a residence. This convent is over seven centuries old. It is functional and it is beautiful. While it has been transformed and readapted over time, its base structure, so solid and yet so flexible, has remained unaltered. This intrinsic quality serves as the leitmotiv to jump into this project’s key issue. How to design a school? How to extricate it from an administrative project planning process that steers far away from the foundations of its basic operating principle as a spontaneous place of assembly for thinking? The ingredients are clear. A school, insofar as it is part and parcel of a city’s functional structure, has a wide scope of action when it comes to representing society itself. Therefore, designing a school is very much like a thinking exercise on the evolution of a society’s ideas and techniques. It is like a door that opens towards an area of experimentation. It is not a closed process. Therefore, its support structure becomes an essential feature of this dynamic process. Construction matter must provide for wide scope of action; Scope of operation, of ability to reconvert, of adaptability and of living experience. Above all, it must be prospective. And that implies being perforce flexible. Let us then consider the support structure. Modular rooms that can be further subdivided, alternative entranceways, ‘box walls’ as the type of infrastructure running along classrooms with a view to enable alterations as a function of duties and equipment, wide corridors and broad stairs. We have thus laid out the basis for our ‘convent’. As for the clay, it can then be molded by users as and when necessary. The ‘locus’ issue - the actual geographical location of the construction site - is equally important. Thick walls, reduced openings, reflective white paint over indoor and outdoor surfaces alike. The outcome of all those elements is the achievement of great control over a building’s thermal and visual features with an efficacy that relies on rather scarce resources. But the ‘locus’ issue does not end with the ruling climatic constraints. Manipulation of built volumes in modelling the terrain is an endemic feature of Portuguese architecture. The fact is that the building is a lot bigger than it looks. Notwithstanding the fact that one of its storeys is partially buried, the intensity of its interior natural lighting was not curtailed. When walking around the building one hardly perceives the fact that the difference in the height of its elevations is slowly absorbed by the walls of the construction. The manner in which volumes relate to the size/sighting features of its spans combines to reduce scale. Instituto Politécnico de Beja’s biggest school actually looks like it is its smallest and the one that better blends into the surrounding terrain as well - as it benefits from surrounding woods. But it is worth revisiting our initial musings on the issue of what does the concept of school represent. What does it mean to attend, on and off, a building that is solely dedicated to thinking that requires an institutional structure behind it? This issue is of paramount importance in designing the building. The building design was managed as a melting pot of components that raise questions. The underlying concept is to ask questions and then find answers to those questions, and to ultimately learn throughout that process of gathering and transforming information. How does the building process that concept? In an indirect fashion, the structure offers a number of formulations through imaginary paths. I will spell out some of those questions but will not be answering them, because the answer to those questions is part and parcel of the process h/e been referring to. These are some of the most blatant questions: what do the human shapes built into walls and entranceways mean; why are narrow, high interior doors laid side-by-side with wide, low exterior doors; why the banisters along the stairs; why the H2O symbol bas relief built into the ceiling of the assembly hall, why the pearl-shaped wall plates at the stairs to the lower storey, and the sky-blue lighted niches, and the fact that the southern raised wall features no apparent spans; why is the small main entranceway followed by an area that is 15 meters high; why repeat interior spans in a fashion that cancels out adjoining spatial hierarchies; why are the entrance counters built in ocular shapes; and also why does one see an obsessive, ethereal white everywhere you look.

Centro de Convenções de Madrid | Madrid’s international ConferenCe Hall

Arquiteto Architect Nuno Montenegro (M.AR studio)

Datas Dates 2008-2010

Localização Location Madrid, Espanha

Cliente Owner Ayuntamiento de Madrid

Áreas Surface 70.000 m2

Custo Cost 84.000.000,00 €

Estruturas Structure Arup Eletricidade Electricity Arup Inst.Mecânicas Engineering Arup

Águas e Esgotos Water Supply and Sewer System Arup

Paisagismo Landsdcaping Nuno Montenegro (M.AR studio)

Fotografia Photos Nuno Montenegro (M.AR studio)

 

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O ayuntamiento de Madrid lançou um dos maiores concursos para a conceção do Centro internacional de Convenções da Cidade de Madrid (CiCCM). o centro constituiria um ponto de encontro para a celebração de reuniões e eventos culturais a nível internacional. O centro contribuiria para a criação de um novo centro financeiro localizado no tramo final do eixo da avenida Castellana, por entre as quatro torres da antiga cidade desportiva. dominique Perrault e João luís Carrilho da Graça estiverem presentes no corpo de júri, entre um conjunto de figuras relevantes da arquitetura e da sociedade espanhola. Entre os concorrentes figuravam nomes como Zaha Hadid e o atelier Mansilla y Tunon, que terminou vencedor do concurso. O nosso projeto ficou classificado em segundo lugar, depois de duas fases muito competitivas, originando um destaque imediato na im
prensa de Madrid, pelo desconhecimento generalizado da existência do nosso gabinete. O nosso CICCM é um salão urbano de expressão monumental, que se estende numa espécie de horizontal constante, interrompida por rampas de transição entre dois planos principais. Imaginamos uma viagem a um espaço sem tempo, numa arquitetura sem tempo, replicada de um percurso natural que se procura trazer da cidade para o interior. E do interior para a cidade. Sem que exista um claro limite entre estas duas realidades que se procuram aproximar. o edifício é mais cidade que edifício. É materialização urbana num espaço onde as paredes e tetos estão ausentes e dão origem a planos que cruzam o espaço sem aparente controlo espacial. É exemplo de uma arquitetura criada sem grandes preconceitos disciplinares, puramente centrada na cidade e nas pessoas.

 

The Municipality of Madrid has launched one of the largest competitions for the design of the International Convention Center of the City of Madrid (CICCM). The center would be a meeting point for international meetings and cultural events. The center would contribute to the creation of a new financial center located in the final section of the axis of the Castellana avenue, among the four towers of the old sports city. Dominique Perrault and João Luís Carrilho da Graça were present in the jury, among a group of relevant personalities in the field of architecture and Spanish society. Competitors included names like Zaha Hadid and Mansilla y Tunon, who won the final phase of the competition. Our project was ranked second, after two very competitive phases, giving rise to an immediate prominence in the Madrid press, due to the general lack of awareness of the existence our architecture office. Our CICCM is an urban hall of monumental expression, which extends in a kind of constant horizontal, interrupted by transitional ramps between two main planes.
We imagine a trip to a space without time, in an architecture without time, replicated of a natural route that one tries to bring from the city to the interior. And from the interior to the city. Without there being a clear limit between these two realities that are tried to approach. The building is more city than building. It is urban materialization in a space where walls and ceilings are absent and give rise to planes that cross space without apparent spatial control. It is an example of an architecture created without great disciplinary bias, purely centered on the city and the citizens.

MUSEU NACIONAL DO QATAR | NATIONAL MUSEUM OF QATAR

Arquiteto architect Jean nouvel (ateliers Jean nouvel)

Localização location al Corniche street, Doha, Qatar interiores interiors Koichi Takada architects

Paisagismo park design michel Desvignes

Datas Dates 2003/2019

Estudos studies 2003/2011

Construção edifício Building construction 2011/2018

Abertura opening march 2019

Área total Total surface area of the site 143.145 m² (660 m larg. long x 330 m compr. wide)

Área de implantação surface area occupied by the Building 33.618 m² (330 m larg. long x 170 m compr. wide)

Área do parque landscaped park 112.000 m²

 

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Imersivo e experiencial, o Museu Nacional do Qatar (NMoQ) conta a história do Qatar e do seu povo, desde os primeiros tempos até hoje, dando vida à história natural da península, dando voz à rica herança cultural do Qatar e expressando as aspirações de uma comunida
de vibrante. O novo museu assume como peça central o histórico, restaurado, Palácio de Sheikh Abdullah Bin Jassim Al Thani (18801957), filho do fundador do moderno Qatar: um edifício que antes era, simultaneamente, a casa da família real e sede do governo e, posteriormente, o local do original Museu Nacional. O novo edifício de Jean Nouvel integra o Palácio e, de um modo perfeitamente inovador, obras de arte encomendadas a artistas nacionais e internacionais, objetos raros e preciosos, materiais documentais e oportunidades de aprendizagem interativa. Local Localizado numa área proeminente de 147.425 m², no Corniche de Doha, o novo museu oferece aproximadamente 52.000 m² de espaço fechado, incluindo 7.000 m² para as coleções permanentes, 1.700 m² para exposições temporárias, um auditório de 213 lugares, dois cafés, um restaurante e duas lojas de museus. Inclui instalações separadas para grupos escolares e VIPs, instalações do pessoal, bem como laboratórios de conservação, zonas administrativas e áreas de gestão e armazenamento das coleções. O museu é circundado por 112.000 m ², parque paisagístico que reinterpreta as paisagens do Qatar. Arquitetura O projeto do edifício é inspirado numa formação mineral comumente encontrada nos desertos da região do Golfo. A “rosa do deserto” é uma rocha que se forma quando os minerais cristalizam no solo friável, logo abaixo da superfície de uma bacia de sal. O sistema de discos interligados à volta do palácio histórico, como um colar, parece propagar-se organicamente. Incorpora espaços de exposição que se estendem num circuito elíptico em torno de um pátio central, o Baraha, onde serão encenados eventos culturais ao ar livre. A forma “rosa do deserto” evoca a cultura e o clima do Qatar. Emerge do chão e funde-se nele. As sombras criadas pelos elementos suspensos permitem aos visitantes passear no exterior, ao mesmo tempo que protegem o interior da luz e do calor. O revestimento, em concreto, cor de areia, mantém a harmonia da envolvente. A Experiência do Visitante A visita ao museu segue um circuito elíptico que sobe e desce suavemente, lembrando a ondulação natural da paisagem. Grandes aberturas oferecem vistas do Baraha, dos jardins do museu e da Baía de Doha. As exposições permanentes, com foco no ambiente cultural e na história política do Qatar - desde tempos imemoriais até à atualidade - estão em exibição em onze galerias. A viagem do visitante culmina no antigo palácio histórico, uma das jóias das coleções do NMoQ, que agora foi restaurado de acordo como o original.
O Parque O museu é cercado por um parque paisagístico que reinterpreta as paisagens do Qatar, com a alternância de dunas baixas, plantações inundadas e jardins inspirados nos sabkhas e nos oásis. Apenas composto por plantas e árvores locais, o Parque conta a história do Qatar e o modo como o seu povo viveu e cultivou um ambiente inóspito. Sustentabilidade O projeto é orientado para o clima local. Elementos suspensos formam áreas de sombra passiva. Zonas de separação, nos espaços entre os discos, criam uma massa térmica que reduz as cargas de arrefecimento. Os sistemas de aquecimento e de refrigeração utilizados no edifício são de última geração. O aço e o concreto, os principais materiais utilizados, são de origem local e/ou fabricados localmente. O parque apresenta apenas vegetação autóctone resistente à seca. Estas e outras medidas de sustentabilidade qualificaram o NMoQ no ranking USGBC e GSAS de edifícios “verdes” respetivamente categoria Gold e 4 estrelas.

The immersive and experiential National Museum of Qatar (NMoQ) tells the story of Qatar and its people from earliest times to today, bringing to life the peninsula’s natural history, giving voice to Qatar’s rich heritage and culture, and expressing a vibrant community’s aspirations for the future. The new museum embraces, as its centrepiece, the restored historic Palace of Sheikh Abdullah bin Jassim Al Thani (1880-1957), son of the founder of modern Qatar: a building that in former times was both the home of the Royal Family and the seat of government and was subsequently the site of the original National Museum. Jean Nouvel’s new building incorporates the Palace while seamlessly integrating innovative artworks commissioned from Qatari and international artists, rare and precious objects, documentary materials, and interactive learning opportunities. Site Located on a prominent 147,425 m² site on Doha’s Corniche, the new museum offers approximately 52,000 m² of enclosed space, including 7,000 m² for the permanent collections, 1,700 m² for temporary exhibitions, a 213-seat auditorium, two cafés, a restaurant, and two museum shops. Separate facilities are provided for school groups and VIPs. Staff facilities include conservation laboratories,staffoffices,andcollections management and storage areas. The museum is surrounded by a 112.000 m² landscaped park that reinterprets the landscapes of Qatar. Architecture The building design is inspired by a mineral formation commonly found in the deserts of the Gulf region. The ‘desert rose’ is a rock formed when minerals crystallize in the crumbly soil just below the surface of a shallow salt basin. The system of interlocking disks surrounding the historic palace like a necklace looks as if it’s been propagated organically. It incorporates exhibition spaces that fan out in an elliptical circuit around a central court, the Baraha, where outdoor cultural events will be staged. The desert-rose form evokes the culture and climate of Qatar. It emerges from the ground and merges with it. The shadows created by overhanging elements allow visitors to stroll around outside at the same time as protecting the interior from light and heat. The sand-coloured concrete cladding is in harmony with the local environment. Visitor Experience The museum visit follows an elliptical circuit that gently rises and falls, evoking the natural undulations of the landscape. Large openings offer glimpses of the Baraha, the museum’s gardens and Doha Bay. The permanent exhibitions, focusing on the environmental, cultural and political history of Qatar – from time immemorial to the present moment – are on display in eleven galleries. The visitor journey culminates in the old historic palace, one of the jewels of the NMoQ’s collections, which has now been restored to its original state. Park The museum is surrounded by a landscaped park that reinterprets Qatari landscapes, with alternating low dunes, flooded crops and gardens inspired by sabkhas and oases. Containing only local plants and trees, the park tells the story of Qatar and how its people lived in and cultivated the harsh environment. Sustainability The design is geared to the local climate. Cantilevered elements provide areas of passive shade. Buffer zones in the spaces between the disks create thermal mass, reducing cooling loads. The heating and cooling systems used in the building are state-of-the-art. Steel and concrete, the main materials used, are locally sourced and/ or made. The landscaped park features only drought-resistant native vegetation. These and other sustainability measures have qualified the NMoQ for a USGBC LEED Gold rating and GSAS 4 Stars.

MUSEU NACIONAL DO QATAR | NATIONAL MUSEUM OF QATAR

MUSEU NACIONAL DO QATAR | NATIONAL MUSEUM OF QATAR

Arquiteto Architect Jean Nouvel (ateliers Jean nouvel)

Localização Location Al Corniche street, Doha, Qatar

Interiores Interiors Koichi Takada Architects

Paisagismo Park Design Michel Desvignes

Datas Dates 2003/2019

Estudos Studies 2003/2011

Construção edifício Building construction 2011/2018

Abertura Opening March 2019

Área total Total Surface area of the site 143.145 m² (660 m larg. long x 330 m compr. wide)

Área de implantação Surface area occupied by the Building 33.618 m² (330 m larg. long x 170 m compr. wide)

Área do parque Landscaped park 112.000 m²

Imersivo e experiencial, o Museu Nacional do Qatar (NMoQ) conta a história do Qatar e do seu povo, desde os primeiros tempos até hoje, dando vida à história natural da península, dando voz à rica herança cultural do Qatar e expressando as aspirações de uma comunida
de vibrante. O novo museu assume como peça central o histórico, restaurado, Palácio de Sheikh Abdullah Bin Jassim Al Thani (18801957), filho do fundador do moderno Qatar: um edifício que antes era, simultaneamente, a casa da família real e sede do governo e, posteriormente, o local do original Museu Nacional. O novo edifício de Jean Nouvel integra o Palácio e, de um modo perfeitamente inovador, obras de arte encomendadas a artistas nacionais e internacionais, objetos raros e preciosos, materiais documentais e oportunidades de aprendizagem interativa. (...)

ROMINA CANNA

CASA DA LEITURA, BIBLIOTECA MUNICIPAL | LECTURE HOUSE, MUNICIPAL LIBRARY

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ROMINA CANNA — Equipa Team D-Lab Director, Romina Canna  — Estudantes Students Nicolo Coelewij, Haitam Daoudi, Pierre Gavelle, Pedro Hurtado, Nathalie Lagard, Naomi Njonjo, Ege Öz, Lucía Sánchez Osense, Lijia Sun  — Colaboradores Collaborators Maxon Higbee, — Coordenador Coordinator FabLab Elena Cardiel  — Assistente Assistant FabLab  —  Datas Dates October 2016 - October 2017  — Localização Location Segovia, Espanha Spain  — Cliente Owner Concejalía de Cultura - Ayuntamiento de Segovia, Department of Culture – Segovia City Hall  — Iluminação Lighting LUCES Segovia  — Fotografia Photos Whit Preston Photography, Naomi Njonjo

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ANA LEANDRO

EDIFÍCIO JN | MAPUTO, MOÇAMBIQUE JN BUILDING

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Colaboradores Collaborators Marta Belém arq, Rui Tauancha arq,  Gizela Mangaze arq, | a r q u i t e c h — Datas do Projecto Project Dates 2013-2015 — Localização Location Av. Julius Nyerere, Maputo, Moçambique — Cliente Promotor | Imoinveste — Áreas Surface 25.837 m2 — Custo Cost 31.000.000 usd — Empreiteiro Contractor Teixeira Duarte — Direção Engineering Management  Julio Henriques Eng |Fase Indico — Engenharia Structural Engineering Joaquim de Sousa eng | FASE INFICO — Estruturas Structure Nuno Pinheiro eng | FASE INDICO Consultor Nelson Vila Pouca eng — Eletricidade Electricity Barreto Costa eng.| FASE INDICO — Inst.Mecânicas Avac Engeniering | David Garrido eng | FASE INDICO — Águas e Esgotos Water Supply and Sewer System | Raquel Neto eng | FASE INDICO — Iluminação Lighting  Barreto Costa eng| FASE INDICO — Segurança Safety Engineering António Correia eng | FASE INDICO — Fotografia Photos @ARQUITECH | ana leandro arquitectos

CÉLIA GOMES, com AS (atelier de santos)

ESCOLA LUÍS DE FREITAS BRANCO LUÍS DE FREITAS BRANCO | SCHOOL

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Projeto Project Escola Luís de Freitas Branco (School) — Datas Dates (2009-2015) — Arquitetos Architects Célia Gomes + Pedro Machado Costa  (a.s* atelier de santos arquitectura) — Localização Location Paço D’Arcos, Portugal — Equipa Team AFAConsult: Arpas Arquitectos Paisagistas — Fotografia Photos João Morgado http://www.joaomorgado.com