
Arquiteto J,P:A, Professor Southern California Institute of Architecture, University of Toronto, Autor "Instrumental Form", "El Segundo", "Meet the Nelson's"
arqa: Tendo em conta o seu trabalho crítico e prática do desenho, de que forma lhe interessa a questão da arquitetura e/na/como ficção?
arqa: Depois da anterior convergência entre arquitetura e ficção dos anos 60 e 70, como pode o dispositivo ficcional assumir uma função crítica na arquitetura contemporânea?
arqa: Num momento em que as vertentes do documental e do ficcional se cruzam no campo da arquitetura e do urbanismo, qual a relação que a ficção deve manter com a realidade existente?
WesJones:
arqa: Sr. Jones...
WJ: Pode tratar-me por Wes.
arqa: Ok. Wes (é estranho tratá-lo assim)...
WJ: Pronto, se preferir pode ser Sr. Jones. Mas vou pensar que "o meu pai está na sala" (é uma velha piada).
arqa: Não percebi.
WJ: Esqueça, não era uma boa piada nem quando era nova.
arqa: Podemos começar? Como sabe, a edição tem como tema "influências ficcionais", por isso gostaria de lhe fazer umas perguntas sobre o desenho e a ficção: qual o seu interesse na questão da arquitetura e/na/como ficção?
WJ: (pausa, reflexão) OK. Bem, num certo nível, claro que a arquitetura é ficção no sentido em que sempre foi encarada como mais que simplesmente construção, mais do que o objeto em si, com que nos deparamos. E uma parte importante deste "mais" foi sempre a representação: a arquitetura sempre simbolizou alguma coisa. Mais precisamente, gosto de pensar na arquitetura como o ato de nos colocar no mundo e ao fazê-lo tem que nos falar acerca do mundo. No mínimo tem de incorporar aquilo que no mundo tem importância suficiente para merecer o esforço da sua presença manifesta. Conjura esse mundo colocando-nos lá.
arqa: E o desenho?
WJ: O projeto é só um desenho, até ser construído. E a maior parte dos trabalhos, infelizmente, nunca passa desta fase. A verdade é que os arquitetos fazem desenhos, não edifícios, por isso a responsabilidade da arquitetura, em colocar-nos no nosso mundo, devolve a responsabilidade ao arquiteto para que este primeiro desenhe esse mundo. Claro que, hoje em dia, "desenhar" não significa só colocar linhas num papel - de facto, em breve provavelmente diremos mais naturalmente que o arquiteto, primeiro, "modela" esse mundo. No meu caso, de modo a tornar esse mundo mais completo e menos abstrato, antes de se realizar como edifício, e porque não tenho os recursos do George Lucas ou do James Cameron, tenho, ao longo dos anos, usado desenhos em vez de renderings/modelos, para apresentar os meus projetos. Em muitos casos, em forma de cartoons ou banda desenhada. A banda desenhada permite-me colocar em primeiro plano aquele mundo (nascente) e mostrar o papel da arquitetura nesse lugar. Que, já agora, tem sempre um papel de apoio, em vez de ser personagem principal, mesmo quando a arquitetura é icónica ou heróica, como em Bilbau. Nalguns casos extremos, como nos cartoons que fiz com o meu estúdio do SCI-Arc sobre investigações mais críticas no Dubai, a arquitetura pode ser só apresentada como cenários ou ilustrações de um argumento mais amplo.
(...)
Jan 2012

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