
Arquiteto, Representante Suíço Biennale di Venezia 2002, Participação Biennale di Venezia 2008, Conferencista convidado Princeton
arqa: Tendo em conta a sua investigação da « arquitetura metereológica», de que forma lhe interessa a questão da arquitetura e/na/como ficção?
arqa: Depois da anterior convergência entre arquitetura e ficção dos anos 60 e 70, como pode o dispositivo ficcional assumir uma função crítica na arquitetura contemporânea?
arqa: Num momento em que as vertentes do documental e do ficcional se cruzam no campo da arquitetura e do urbanismo, qual a relação que a ficção deve manter com a realidade existente?
Philippe Rahm: Para mim a ficção não está antes do projeto, mas depois. É por isso que convido músicos, como as bandas francesas AIR ou SYD MATTERS, escritores, como Marie Darrirussecq ou Alain Robbe-Grillet, ou o autor de comédia Piero Macola para imaginarem que tipo de vida, de utilização poderia ser feita nos espaços que projeto. Prefiro desenhar espaços sem significado particular, primeiro, e depois pedir a autores de ficção que os interpretem. Trabalho assim porque não quero começar a partir de uma ideia do existente ou ficcional. Prefiro realizar o processo projetual sem qualquer visita ou ideia prévia, para ver que tipo de espaço pode ser criado a partir deste processo. É a ideia subjacente ao clima interior no CCA-Canadian Center for Architecture, em 2006, em que pedi a Alain Robbe-Grillet para imaginar que tipo de funções poderiam ser imaginadas, tendo em conta as características climáticas. Neste artigo "Literatura Objectiva", Roland Barthes observa que no trabalho literário de Alain Robbe-Grillet existe uma vontade de libertar os objetos de qualquer possibilidade da metáfora ou analogia e, assim, matar "o adjetivo singular e global que consegue ligar todas as relações metafísicas do objecto." Denunciando a "tirania das significações", Robbe-Grillet dá exemplos de tais adjetivos (campo austero, aldeia acolhedora, etc.) que, quando adicionados ao sujeito, impõem uma leitura psicológica do espaço. É, sem dúvida, pelo mesmo motivo que recusamos qualquer imposição de significado para além da arquitetura, algo que o habitante tivesse que estar informado previamente.
(…)Jan 2012

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Mai 2012

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Mai 2012