

Se pensarmos ao nível de um design reflexivo verificamos que existem vários futuros. O design reflexivo assenta essencialmente na mensagem, no significado do produto, no seu uso e na cultura. O design reflexivo propõe uma reflexão sobre o significado das coisas, as memórias que invocam, as memórias pessoais dessas mesmas coisas. Falamos de identidade e da mensagem que o produto comunica aos outros. É um assunto de autoimagem (Norman, 2004).
Quando os designers desenham os seus produtos não podem, apesar de pensarem nas suas funções, estar desvinculados do seu tempo e assumirem formas sem significado, sem identidade. O designer é, antes de mais, um indivíduo que comunica e que utiliza artefatos e objetos que o ajudam a deslocar-se, a interagir com outros indivíduos e a integrar-se em grupos, sendo também reprodutor do habitus dessas sociedades. O indivíduo quer-se integrado. E como é obvio preocupar-se-á com o modo como se apresenta aos outros (dir-nos-ia Donald A. Norman).
Por isso as formas são determinantes. As formas evocam momentos já passados e habitam na nossa memória a longo prazo. Quando pensamos em futuro, e se estivermos a falar em objetos de design, somos impelidos a recordar as formas de outros tempos, que evocaram também o futuro, ou despertaram promessas de futuro. Podemos começar por recordar um certo funcionalismo curvilíneo dos anos cinquenta. A invenção de novas formas de vida, numa tentativa de ruptura de tudo o que representasse as gerações precedentes. A razão de viver das novas gerações era o rompimento cultural com o passado (Guidot, 2000). Ora, mesmo que se tratassem de formas da época, a publicidade de Herman Miller, a máquina de café da Elenova de 1958, ou as cadeiras de Verner Panton, permaneceram até hoje, como ícones do novo tempo e representativos do avanço da técnica. A esta generosa e voluptuosa manifestação curvilínea da forma estão associados, obviamente, avanços tecnológicos (novas máquinas) e novas experimentações do plástico, entre outros materiais. Note-se que a cadeira Panton é justamente o exemplo paradigmático dessa progressão manifestada nos plásticos: do poliéster reforçado com fibra de vidro no protótipo de 1967, para a mousse de poliuretano em 1968, do ABS aplicado em 1970 para a nova mousse em poliuretano (1983) até ao polipropileno em 1999, a cadeira Panton experimentou todas as potencialidades da sua forma nos diferentes plásticos possíveis. O que é certo é que se mantém esta representação do curvilíneo como forma libertadora e representativa de uma cultura de inovação e criatividade.
Os irmãos Bouroullec, nas suas estruturas alveolares, brancas, transmitem essa referência do passado que nos imprime o futuro, ou vários futuros possíveis. Quiçá, nas suas memórias, não se encontram estímulos desse passado agradável e que transmitia uma confiança no futuro?
Como as coisas transmitem emoções, mesmo que inconscientemente,
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