arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Inês Moreira

Geração Z | Perspectivas Críticas

Arquitecta, Curadora "Alternativa 2012"; "Guimarães 2012", "Petit Cabanon", Editora "Mapa de Jovens Práticas Espaciais"

arqa: A questão geracional na arquitectura portuguesa atravessou recentemente os debates disciplinares. Existem diferenças geracionais na arquitectura portuguesa contemporânea? Se sim, de que forma se manifestam essas rupturas geracionais?
Inês Moreira: Antes da questão geracional é necessário dar dois passos ao lado: interessa considerar a Arquitectura além das estratégias de disciplinação de um corpo profissional, bem como da manifestação estrita da sua produção: o edifício. Isto exige pensar a Arquitectura - discurso, produção, e também os imaginários - pela sua multiplicidade, na fragmentação, e nos antagonismos existentes, tenham eles maior ou menor representação "estatística" para a um corpo mais coeso que se possa generalizar enquanto "Arquitectura". Este pressuposto leva a pensar desde fora para atender aos agenciamentos da(s) arquitectura(s) e dos arquitecto/as, bem como para além de um binómio generalizado - o objecto/autor - que domina a reflexão e os discursos em volta da Arquitectura. A arquitectura contemporânea, e em particular a muito recente da minha geração pós-25 de Abril, necessita ser entendida enquanto produção cultural trespassada de  problemáticas, questões e conexões transversais à contemporaneidade em sentido alargado - conceptual, social, económico, político - não apenas manifestas no projecto de arquitectura, sua linguagem e composição; ou nos métodos de desenho e produção; ou ainda nos mecanismos e circuitos de afirmação autoral e de organização profissional. Eu diria, em todas elas simultaneamente conduzindo a modos processuais e estratégicos de trabalho em em que os formatos e as os resultados de afastam dos cânones de atelier, de arquitecto, ou de obra. Entre um conjunto significativo de arquitecto/as existe uma pluralidade de manifestações, formatos e de expressões do seu trabalho que amplia a ideia mais clássica de "arquitectura=edifício".
Poderá ser dito que por questões de saída profissional, ou por estratégia mediática, mas certamente também por outras motivações como o desejo de experimentação, a vontade de investigação, ou a curiosidade e gosto por uma qualquer questão pessoal, se abriram caminhos distintos dos de outros momentos históricos. Os cenários e os processos em curso são múltiplos: A1 colabora com designers em eventos públicos performativos pela Europa; A2 faz um percurso autoral na função pública das 9h-17h; A3 é realizador de cinema documental, e pesquisa arquivos históricos; A4 constrói arranha-céus e casinos na Ásia; A5 faz estudos culturais sobre práticas espaciais em África. Não é um exclusivo geracional ou nacional, é uma manifestação contemporânea transversal a inúmeras nas práticas de arquitectos e de outros profissionais.

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Dez 2011

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