

Inaugurou no final de Setembro passado a exposição Utilitas Interrupta, comissariada por Joseph Grima, para a experimentadesign 2011. Em resposta ao tema "useless" lançado pela bienal, o curador italiano apresenta-nos uma exposição intencional e afirmativa em volta do dispositivo da infra-estrutura. Na sua introdução, intitulada "índice infraestrutural de ambições por cumprir", Grima refere que materializando "os maiores sonhos, desafios e realizações do ser humano (...) a infraestrutura acaba inevitavelmente por imortalizar os mais catastróficos falhanços de uma sociedade". No entanto, Utilitas Interrupta não parece centrar-se numa mera exaltação negativa do fracasso, aparentemente tão reconfortante em tempos de crise. Inversamente, propõe-nos acima de tudo um deslocar da visão, um re-calibrar do olhar através do espanto.
Como afirma, "o fracasso pode ser tão revelador quanto o sucesso". Aproveitando a sua presença para a inauguração, a arqa falou com Joseph Grima para perceber melhor os objectivos programáticos e o contexto ideológico de Utilitas
Interrupta.
arqa: No âmbito do tema "useless" lançado pela EXD'11, qual é a tese crítica e curatorial de Utilitas Interrupta?
Joseph Grima: A estratégia curatorial assenta essencialmente em dois pontos. O primeiro será um ataque directo ao que é entendido como tabu, como algo que é muito simplificado mas ao mesmo tempo muito estruturado. Nos termos em que a sociedade é hoje estruturada não se pode verdadeiramente falar do fracasso. O segundo ponto foi explorar a ideia de existência de muitas teorias do mundo - como da filosofia, da física ou física quântica, etc - em que tudo o que é possível acontece e pressupondo a existência de universos paralelos. De certa maneira, muitos dos projectos presentes na exposição são repositórios de universos paralelos. E esta pode ser uma estratégia contra a amnésia, que é um aspecto crucial da forma como vivemos hoje - e penso que não será coincidência - que sejamos capazes de apagar tudo aquilo que não é compatível com esse modo de vida. Esta é uma tentativa de poeticamente trazer de volta esses projectos, lembrando realidades que nos são tão próximas e ao mesmo tempo nos parecem tão incrivelmente remotas nas nossas consciências, como é o caso dos projectos soviéticos apresentados. Isto torna-se verdadeiramente fascinante.
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