

Por ocasião da Bienal da experimentadesign 2011, Jonathan Olivares foi convidado a realizar uma exposição sobre o tema do inútil: "Useless: An Exploded View. Eleito o espaço, numa das salas do Museu de Design, MUDE, o designer convida-nos a fazer um percurso pelos diversos objectos que se encontram alinhados, em fileiras, sobre bancadas ladeadas por cadeiras. Ao invés de nos provocar, a exposição, um sentimento de formalidade, que geralmente as caracteriza, de objectos dispostos de um modo sagrado e solene, somos impelidos a um espaço de trabalho, informal, de pesquisa, onde somos convocados a interrogar e a questionar cada objecto com que nos deparamos ao longo do curso da exposição, cada gesto de uma cultura posta a nú.
Toda a narrativa da exposição de Olivares conduz-nos a um discurso que nos remete para a discussão sobre instrumentos de cultura e sobre sistemas simbólicos de cultura. Atendamos às palavras de Bruner e o que nos diria acerca de cultura: "Aprendemos cedo a psicologia comum da nossa cultura, aprendemo-la como aprendemos a usar uma língua que adquirimos e a orientar as transacções interpessoais requeridas na vida comunitária". Ora para este autor quando ingressamos na vida humana é como se "entrássemos em cena de uma peça qualquer cuja actuação já está a desenrolar-se" (Bruner, 1990), e em que o nosso papel já se encontra pré-definido. Somos levados a esse pensamento quando nos deparamos com o barril de petróleo, logo no início do trajecto da exposição.
Existe uma obra sobejamente conhecida por nós, de Jean Baudrillard, cujo título assenta com plenitude nesta reflexão a que nos propomos: "O Sistema dos Objectos". E é sobre esta perspectiva que devemos encarar os objectos, como instrumentos de um sistema sócio ideológico em que o homem, para bem e para o mal, comunica e interage.
Mais à frente, no desfile de objectos que Olivares nos confronta, encontramos um escaparate de numerosas escovas de dentes, embaladas e ostentando uma panóplia de cores, formas, texturas e tamanhos. Pela diversidade dos objectos reunida Olivares destaca a inutilidade dessa mesma diversidade e acentua a ideia, de Riesman, de que o "produto mais procurado hoje, pelo homem, não é uma matéria-prima ou uma máquina, mas uma personalidade" (Baudrillard, 2002).
Inevitavelmente somos conduzidos ao sentimento de que não são as verdadeiras funções dos objectos que nos levam ao consumo mas uma satisfação pessoal que passa por uma aspiração de integração e/ou distinção social. Uma distinção falaciosa, uma singularidade ilusória porque o que se verifica é uma dança de modelos, infinita, que não mais faz que legitimar a série, instrumento de uma exigência socioeconómica. Nas palavras de Baudrillard: "Há como que uma fatalidade. A partir do momento em que toda uma sociedade se articula e converge para os modelos, em que a produção se esforça por desestruturar sistematicamente os modelos em séries, as séries em diferenças marginais, em variantes combinatórias, até o ponto em que os objectos ganham estatuto tão efémero quanto as palavras e as imagens".
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