arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: Sandra Vieira Jürgens

Duarte Amaral Netto

Onde está o facto e onde está o artifício

Duarte Amaral Netto é um dos artistas finalistas do Prémio BES Photo 2012. A nomeação resulta da qualidade conceptual da exposição "The Polish Club Case", apresentada no Espaço Arte Tranquilidade, em Lisboa, e do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo de uma década. Nesta entrevista, Duarte Amaral Netto explica-nos a forma como pensa a fotografia, como constrói os projetos, revelando alguns aspectos do seu processo criativo. 

arqa: O seu percurso na fotografia iniciou-se em 1998. Quais foram as motivações iniciais?
Duarte Amaral Netto: Comecei a estudar no Ar.Co em 1996 mas só em 1999 é que fiz a primeira exposição com um trabalho mais maduro. Foi uma exposição colectiva no Instituto Franco-Português com alunos do Curso Avançado do Ar.Co e organizada pelo Delfim Sardo, que na altura era nosso professor. A fotografia surge um pouco por acaso na minha vida e por uma série de coincidências. Estava no curso de Direito quando tive conhecimento do curso do Ar.Co. O meu pai adorava fotografia e tinha algum equipamento de câmara escura, além de uma câmara que usei inicialmente. Não estava muito interessado em Direito, sinto agora que nem pensei muito bem porque fui por aí, e tinha uma necessidade enorme de produzir alguma coisa. Tive uma breve e infeliz incursão pela música, que adoro, mas achei melhor não insistir onde não havia talento, neste caso ouvido. Também escrevi algumas coisas mas nada de significativo. Quando comecei na fotografia muita coisa mudou em mim. Aprendi a olhar acima de tudo. Sinto que essa foi a maior revelação. Julgo que nunca tinha realmente olhado. E ao olhar comecei a questionar e a ter curiosidade por aquilo que me despertava interesse. Perceber porquê. Porque é que estava mais inclinado para um assunto do que outro. Este processo ajudou-me imenso a crescer. Naquele momento percebi que a fotografia me interessava também devido à rapidez com que tudo acontecia, a curva de aprendizagem pareceu-me exponencial e atendendo também a que vivíamos numa época de consumo muito rápido, e ainda vivemos, permitia-me consumir muitas imagens, num processo de fotografar, ver, fotografar. Hoje em dia isso acontece ainda mais, devido ao baixo custo do digital e, naquele momento, era algo que me trazia algum grau de satisfação. Fotografava, esperava e via, podendo confrontar a concepção, a ideia inicial da fotografia que tinha com a objectivação da imagem.

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Dez 2011

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