arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Keller Easterling

Inserções Infra-estruturais | Perspectivas Críticas

Arquitecta, Professora Yale University, Autora "Enduring Innocence: Global Architecture and its Political Masquerades", "Organization Space: Landscapes, Highways and Houses in America", "Extrastatecraft"

arqa: Tendo em conta a sua investigação para o livro "Extrastatecraft", de que forma lhe interessa a questão da infra-estrutura?
arqa: Perante o processo contínuo de modernização global, como tem a infra-estrutura verdadeiramente afectado, mudado e transformado a nossa condição urbana?
arqa: No âmbito da revolução das tecnologias de informação e comunicação, como se pode estabelecer uma relação produtiva e equilibrada entre as dimensões material e virtual da infra-estrutura na contemporaneidade?
Keller Easterling: Extrastatecraft: Global Infrastructure and Political Arts investiga a infra-estrutura global como forma de governo e como um pouco explorado orientador da imaginação política e artística.
A infra-estrutura conjura, tipicamente, associações com redes físicas de transportes, comunicações ou utilidades, ou, como sugere a palavra, é considerada como sendo um substracto oculto, ou o elemento ou corrente de ligação entre os objectos de consequência, forma e lei positivas. Não se trata somente de grelhas de tubagens e cabos, estas redes tecnológicas são compostas por ambientes de micro-ondas, populações de aparelhos electrónicos atomizados e plataformas para tudo, desde objectos técnicos até estilos de gestão. Longe de estar escondida, a infra-estrutura é, muitas vezes, o ponto de abertura de contacto e acesso, a superfície espacial de lógicas de tipo muito diferente. Os sinais que emanam dos satélites ou os emaranhados complexos dos cabos submarinos de fibra-óptica, que estão no fundo do oceano, embora nem sempre sejam visíveis, definem, ainda assim, o mundo à medida que abraça e envolve o espaço da vida quotidiana.
Algumas formulações infra-estruturais, não sendo já somente o que está oculto, parecem mesmo carregar em si uma caricatura hiperbolizada das suas lógicas técnicas e económicas abstractas. As fórmulas de engenharia de tráfego ditam que as pequenas casas de subúrbios se afastem cerca de 20 metros de uma rua que é igualmente larga. As fórmulas para produtos espaciais como resorts, centros comerciais, complexos de investigação ou zonas económicas livres formam gigantescas cidades mundiais. Os limites dos edifícios que são tipicamente considerados como objectos geométricos formais tornaram-se infra-estruturais - tecnologias moveis e monetizadas que circulam à volta do mundo como fenómenos repetíveis. Então, a infra-estrutura não é a sub-estrutura urbana, mas a própria estrutura urbana, os verdadeiros parâmetros do urbanismo global.

 (…)

Set 2011

Outros artigos em Entrevista

Imagem - Paulo Martins Barata

Paulo Martins Barata

Arquiteto Promontorio, Editor "Promontório: Architecture for Tourism", Colaborador "Reacção em Cadeia: Transformações na Arquitectura do Hotel" arqa: Tendo em conta a sua investigação em geral e a coordenação do… 

Mai 2012

Imagem - Luís Tavares Pereira

Luís Tavares Pereira

Arquiteto [A].ainda arquitectura, Comissário Allgarve "Toll Free" e "Chain Reaction", Autor "Reacção em Cadeia: Transformações na Arquitectura do Hotel" arqa: Tendo em conta a sua investigação em geral e… 

Mai 2012

Arquivo de Entrevista