arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Katrina Stoll

Inserções Infra-estruturais | Perspectivas Críticas

Arquitecta, Urbanista, Professora, Co-Editora "Infrastructure as Architecture", Co-Curadora "IP2100" Pavilhão Austrália Bienal de Veneza 2010

arqa: Tendo em conta a sua investigação sobre "infra-estrutura como arquitectura", de que forma lhe interessa a questão da infra-estrutura?
Katrina Stoll: A infra-estrutura é o sistema básico físico e organizacional que auxilia as reservas, fluxos e processos do nosso planeta. Consiste em sistemas físicos como estradas, rios ou gasodutos; sistemas sociais como hospitais, prisões ou redes de parques; e sistemas invisíveis como mercados de acções, a internet, ou fluxos globais de migração. Estas redes fundamentais alargadas são essenciais para compreender como cada nova implantação arquitectónica na nossa paisagem se vai relacionar com os múltiplos sistemas infra-estruturais às mais diversas escalas. Nos Estados Unidos e em muitos outros países, que estão limitados pela redução de orçamentos e por gastos sociais em decrescimento, os arquitectos deveriam estar envolvidos no debate e na implementação de novos projectos infra-estruturais e no melhoramento dos já existentes. Os sistemas de infra-estruturas existentes são, muitas vezes, planeados de modo independente e, por vezes, mesmo em competição uns com os outros, tal como acontece com a rivalidade que existe nos Estados Unidos entre as vias rápidas e os caminhos-de-ferro, como modo de transporte dominante (onde claro que ganharam as vias rápidas); raramente se exige que funcionem eficientemente em termos sociais ou ecológicos. Como resposta, os arquitectos têm exigido híbridos infra-estruturais e o projecto de sistemas acoplados ou compostos que podem dobrar, muitas vezes, as possibilidades das redes singulares. Por exemplo, como podem infra-estruturas de transporte ou de caminhos-de-ferro gerar também energia? Como podem as infra-estruturas ajudar na justiça social e no acesso igualitário, para que o eixo de trânsito actue como um centro social, aumentando a acessibilidade e a prosperidade dos bairros mais pobres? Como é que as redes de estradas podem recolher fluxos de água que depois pode ser limpa e reciclada para regar parques e jardins? Estas são todas possibilidades para repensar e melhorar criativamente as nossas infra-estruturas existentes de modo a proporcionar impactos maiores aos níveis ecológico, social e económico. Os arquitectos podem actuar nesse interface entre estes sistemas tecnológicos e sociais.

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Set 2011

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