arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Neyran Turan

Inserções Infra-estruturais | Perspectivas Críticas

Arquitecta, Co-fundadora NEMEstudio, Professora Rice University, Editora New Geographies

arqa: Tendo em conta a sua investigação e o seu trabalho editorial na "New Geographies", de que forma lhe interessa a questão da infra-estrutura?
arqa: Perante o processo contínuo de modernização global, como tem a infra-estrutura verdadeiramente afectado, mudado e transformado a nossa condição urbana?
arqa: No âmbito da revolução das tecnologias de informação e comunicação, como se pode estabelecer uma relação produtiva e equilibrada entre as dimensões material e virtual da infra-estrutura na contemporaneidade?
Neyran Turan: "A concepção da arquitectura não é unitária nem pluralista, não é fechada nem aberta, não é rígida nem livre. Existe para evitar a rigidez da ordem total e o caos da independência total." O. Mathias Ungers
A relação da arquitectura com novas escalas de contexto e áreas de conhecimento (infra-estruturas, ecologia, cultura, política, geografia, economia, tecnologia, etc.) tem sido um tópico vital da última década. Em relação a este tema, poderíamos observar dois paradigmas complementares que emergem relativamente à arquitectura contemporânea e ao urbanismo. O primeiro foi o paradigma do Espaço Infindável (Endless Space)- um interesse na acumulação de fluxos ilimitados, condições de campo e sistemas infra-estruturais. A proliferação da Forma Limitada (Bounded Form) - ilhas urbanas e interiores herméticos isolados - está em paralelo com esta formação de Espaço Infindável. O Espaço Infindável, despoletado e permitido pelas qualidades dispersivas da urbanização e os efeitos generalizados da globalização, favoreceu o espaço contínuo e informal do urbanismo, celebrando a interdisciplinaridade da arquitectura e a dissolução das suas fronteiras. Sublinhando uma atitude imersiva em forças exteriores, propõe uma arquitectura que está social, ecológica e politicamente envolvida. Assim, o Espaço Infindável, com a sua deslocação dos contextualismos do pós-guerra em relação à infra-estrutura, paisagem e território, colocou em primeiro plano a lógica de organização, de programação, de sistemas e processos; e expandiu o pensamento urbano e arquitectónico. Em contraste, a Forma limitada marcou a singularidade da arquitectura. Isto é, a arquitectura como a acumulação de objectos estéticos auto-contidos. O Espaço Infindável trouxe uma dimensão expandida à arquitectura através de processo de absorção, como se expressa em tendências analíticas de projecto como investigação/paisagem digital/mapeamento e como urbanismo do quotidiano, alinhamentos disciplinares no contexto da paisagem/urbanismo infra-estrutural e explorações territoriais, etc. Em paralelo, a Forma Limitada tem-se continuamente recolhido em várias esferas de especialização, com os seus marcos icónicos autónomos, os Novos Urbanismos e outras variações. À medida que o trabalho inicial, disseminando-se da infra-estrutura e do urbanismo paisagístico, imaginava as noções operativas de superfície, argumento e matriz e desejava uma indeterminação programática, foram explorando, como primeiros locais de operações, aeródromos abandonados, águas poluídas, ou aterros obsoletos da paisagem urbana pós-industrial.

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Set 2011

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