arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Jesse LeCavalier

Inserções Infra-estruturais | Perspectivas Críticas

Designer, Investigador, Professor ETH Zurich, Co-Autor "This Will _ This"

arqa: Tendo em conta a sua investigação sobre o conceito de "infratecture", de que forma lhe interessa a questão da infra-estrutura?
Jesse LeCavalier: Em "Let's Infratecture!", publicado em Architecture as Infrastructure: Designing Composite Networks (Scott Lloyd and Katrina Stoll, edits., Jovis, 2010), defendo uma categoria de projecto que opera ao nível da organização territorial, enfatizando as qualidades e técnicas do arquitecto; por outras palavras, um campo que operaria no milieu da infra-estrutura com o métier da arquitectura. Entendo esta como a direcção necessária para o desenvolvimento das cidades, face  à crescente privatização e burocratização.  Isto é especialmente verdade no contexto dos EUA, onde várias crises de crença no governo levaram a tentativas de larga escala para melhorar as condições a níveis mais estruturais, cada vez mais suspeitos. Nalguns casos justificam-se dúvidas sobre as renovações de infra-estruturas, mas o que estamos a perder ao abandonar os grandes planos é fundamentalmente a imaginação política colectiva. Mas isto também levanta um ponto importante: afinal o que é a infra-estrutura? Uma das minhas assumpções mais relevantes acerca disto é que vai para além que das grandes e dispendiosas instalações que pensamos, quando nos confrontamos com o termo (p.e. estradas, pontes, redes de telecomunicações, etc.). Para qualquer destes sistemas infra-estruturais existe uma instalação visível mas também uma autoridade institucional encarregue de as supervisionar e manter, bem como tecnologias de menor escala para monitorizá-la e administrá-la. Por exemplo, nos primeiros tempos dos caminhos-de-ferro, nos Estados Unidos, os carris eram colocados embora houvesse poucos standarts que regessem os tempos e calibres das faixas. Só com a implementação de certas regras normativas (p.e. zonas de tempo) e de certas tecnologias (p.e. relógios de bolso standard) é que o sistema começou a funcionar de forma cooordenada. A infra-estrutura caracteriza-se especialmente por escolhas estruturais profundas, cuja influência pode não ser evidente de imediato, mas que se revelam fundamentais no seu papel e impacto. A infra-estrutura organiza as nossas vidas, condicionando o leque de escolhas que temos disponíveis. Se isto é um facto, então a infra-estrutura é também algo cujo projecto e disposição pode ser explorada de modo a contribuir mais directamente para influenciar o mundo onde queremos viver. Que mundo é esse, ainda se está para ver, mas o ponto de partida pode passar por identificar e desafiar tendências, consolidando energia e recursos, frequentemente através do controle da própria infra-estrutura.

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Set 2011

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