arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Crítica

por: Gonçalo Furtado + Tiago Sá

Uma Conversa com Paolo Deganello

O Contexto Italiano, Archizoom e a postura de Paolo Deganello

Gonçalo Furtado + Tiago Sá: Nos anos 60/70 houve uma crítica ao movimento moderno em arquitectura, tendo início uma série de movimentos radicais que Reyner Banham reduziria redutoramente sobre o termo Megaestruturas. Este movimento desenvolveu-se em diferentes geografias, incluindo Inglaterra, França, Áustria, Japão, etc, assumindo distintas posturas. Os grupos italianos, em particular, caracterizaram-se por assumir uma postura mais ideológica e política. Podes comentar?

Paolo Deganello: A questão da megaestrutura é tratar-se de uma espetacularização do projecto que não resolve o problema da organização do território. É a falta de consciência dos limites. Precisamos de micro-estruturas, não de macro-estruturas, precisamos de um projecto capaz de valorizar os recursos do território melhorando a qualidade do habitar, mas não mediante uma total artificialização deste. A macro-estrutura é um não-senso típico do movimento moderno, típico de uma cultura que pensava que a artificialização do planeta não tinha limites. O moderno prezava por um domínio e destruição do natural sobre a cultura de projectar na natureza. Tome-se como exemplo o projecto de Kenzo Tange para a baía de Tókio dos anos 60. A sua proposta era a clara expressão de que o homem podia dominar a natureza, construir um edifício mais potente do que essa. Repare-se agora no que está a acontecer no Japão. Um exemplo contemporâneo é a proposta da ponte sobre o Estreito de Messina, uma grande obra sobre o território que não tem elementos fundamentais de mobilidade. Tal é a falta de sentido da megaestrutura, a simples espetacularização do projecto, num sentido de especulação económica, sem resolver as necessidades do território.

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Set 2011

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