arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Crítica

por: Paulo Brito da Silva

Passeio mecânico

Um transporte do futuro?

 Investigações

1 - As infra-estruturas de transportes são uma componente fundamental das cidades, tantas vezes esquecida quando se pensam os nossos modelos urbanos. Com efeito, é fundamental pensar as nossas cidades já com essas infra-estruturas integradas no desenho e na estrutura urbana. Quando assim não acontece, existe uma evidente dis-funcionalidade nas cidades, umas vezes sendo a estrutura urbana subvertida pela rede de transportes, outras vezes criando-se vastas zonas urbanas onde a função transporte se torna racionalmente muito difícil ou impossível. No entanto, devemos ter presente que as cidades mudaram muito e que hoje são algo de mais indefinido, vastas zonas urbanizadas de modo fragmentário e descontínuo, em que apenas se percebem núcleos diferenciados, que competem ente si e com os anteriores centros urbanos. É aquilo que se convencionou chamar de a cidade poli-nucleada. Nestas vastas zonas urbanas a infra-estrutura é a condição essencial para a sobrevivência e crescimento num ambiente competitivo e globalizado. São as redes de transporte e de comunicações que garantem às cidades a condição do acesso, sem a qual, tal como com as pessoas, se verifica uma exclusão e o esquecimento. Estas redes são imprescindíveis para que possam existir os outros factores de competitividade das cidades.
As redes de transportes desempenham uma função geo-estratégica, numa escala maior, relacionando as cidades em continentes e,  numa escala menor, relacionando e hierarquizando núcleos das grandes áreas urbanas. Muitas cidades nasceram e prosperaram devido a uma situação geo-estratégica particular, que lhes conferiu alguma vantagem, mas este  posicionamento também  pode ser criado.
É neste sentido que Rem Koolhaas, no seu livro "S,M,L,XL", conclui que na eminência de uma Europa Unida, cada cidade se posiciona reclamando - e se necessário construindo - a máxima centralidade. É apontado o caso de Lille, onde a confluência do túnel da Mancha com a rede Francesa de TGV, tornou este ponto da Europa, antes insignificante, num notável  centro de uma população de 50 milhões de pessoas a cerca de 1 ¹/2 horas de viagem.  Este autor também nota que  as infra-estrutura deixaram de ter o carácter de rede, com planeamento centralizado, tornando-se mais competitivas locais, não como resposta a uma necessidade, mas como uma arma estratégica.

 (…)

Set 2011

Outros artigos em Crítica

Imagem - Das paisagens de silicone à intracidade

Das paisagens de silicone à intracidade

A postura contemporânea face à emergente consciencialização do papel do turismo como motor de desenvolvimento da economia local, perfaz com que sejam implementadas estratégias que visam na sua essência,… 

Mai 2012

Imagem - Rural e Urbano

Rural e Urbano

O debate contemporâneo em volta das transformações territoriais permite-nos compreender que nos debruçamos sobre um caminho de retorno, quando preenchidos duzentos anos de debate com o foco nos problemas… 

Mar 2012

Arquivo de Crítica