arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Itinerâncias

por: Bruno Pereira; Ana Raquel Ferrão; Ana Teresa Hagatong; Ricardo Borges Duarte|OpenSimSim Portugal

Open Japan Lisboa

Como uma nuvem de autores faz chover ideias

A partilha de know-how com um fim comum é incontornável nas indústrias criativas. Até que escala pode esta tendência beneficiar urbanismo e arquitectura? O Japão que o diga.
O Open Source Design Network é um conceito emergente e inovador, que envolve a ideia de trabalho em colaboração. Uma lógica de acesso aberto e partilha de know-how para tentar reunir aqueles que estão mais aptos para a solução de problemas complexos e contribuir com ideias novas, criando uma rede de contactos, conhecimento e trabalho. E é do senso comum que, actualmente, um projecto de arquitectura deixou de ser um problema abstracto e isolado que o arquitecto recebe a fim de propor uma resposta singular: está sujeito a numerosos participantes e diferentes pontos de vista. Como uma rede que se tece com vista a um objectivo comum. Eis um relato da nossa recente experiência, que envolveu 30 profissionais em Portugal e ainda a articulação com nove cidades de diferentes pontos do globo.

O projecto "Open Japan"
Inspirado pelo desejo de ajudar as pessoas no Japão, três dias após o sismo de magnitude 9.0 e do tsunami que varreu Tohoku, no Japão, nasceu da plataforma internacional OpenSimSim uma iniciativa de trabalho multidisciplinar à escala global - o "Open Japan".
Movidos pelos números impressionantes da devastação, especialistas de toda a parte do mundo procuraram uma plataforma que, de certa forma, democratizasse os canais de ajuda, não se resumindo só ao contributo monetário.
Ao lançar esta plataforma oferecia-se a oportunidade de doar outros recursos valiosos - tempo, conhecimento, ideias e experiência para a reconstrução das áreas afectadas. O feedback a esta iniciativa rapidamente atingiu uma escala mundial.
A ideia foi ganhando forma e surgiu o evento  "Open Japan", que se desenrolou nos dias 10,11 e 12 de Junho. Consistiu numa autêntica corrida de trabalho em colaboração entre 9 cidades, tendo por meta criar e desenvolver uma nuvem de 99 ideias, tendo o Japão em mente. A cada dia uma nova escala de trabalho foi abordada, nomeadamente Escala Urbana, Escala de Edifício e Escala de Produto.
As cidades que participaram nesta nuvem de ideias foram Tóquio, Chennai, Moscovo, Berlim, Torino, Lisboa, Paris, Nova Iorque e Kansas City. Mais de 200 criativos e especialistas trabalharam soluções para problemas definidos pelo núcleo de Tóquio, a cidade que arrancou esta marcha de criatividade. No final do Open Japan, que durou 72 horas, foram criadas 107 ideias. A maior parte dos participantes nunca se conheceu e, juntos, ultrapassaram a distância e as barreiras de linguagem, adoptando o caminho para um design Open Source.
De acordo com a localização das cidades participantes foram criados quatro fusos horários (Japão, Rússia e Índia, Europa e América do Norte), cada um responsável por 6h de trabalho por dia. Numa lógica de estafeta, esta corrida iniciou-se em Tóquio. O primeiro trabalho efectuado pela capital nipónica consistiu no levantamento in-loco de problemas vividos pela população nas áreas devastadas. Feito o upload deste material na plataforma openjapan.opensimsim.net, Tóquio conferenciou com Moscovo e Chennai, às quais transmitiu as ideias e problemas vividos. Estas duas cidades deram início às suas 6h de trabalho, onde exploraram as primeiras soluções aos problemas. Findo esse período, entregaram o seu trabalho às cidades europeias que, posteriormente, enviaram para o último turno, Nova Iorque e Kansas. Deste modo os trabalhos passaram de fuso horário em fuso horário, em torno do planeta durante 72 horas.

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Jul 2011

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