

Guilherme Leite Ribeiro é natural do Rio de Janeiro, Brasil, e estudou Media Studies, na Fordham University, em Nova Iorque. Reside há nove anos em São Paulo. André Bastos estudou medicina, em Porto Alegre, onde nasceu, e mora em São Paulo há mais de 25 anos. Os dois formam a dupla de designers brasileiros "Nada se leva".
A dupla prende a atenção dos média quando realiza os espelhos Ligero. Há como que uma ideia que sempre os acompanha. Trabalham, de modo versátil, o novo e misturam-no com o velho. Os princípios de Kaufmann surgem assim revisitados, não porque a dupla os siga mas muito pelo contrário. São lembrados porque a urgência do novo aniquila a tradição e a história como valores que enriquecem o objecto que utilizamos. "Nada se leva" valoriza a tradição. Coloca em confronto a lisura de um less is more com a rugosidade de um certo decorativismo. O século XX foi apreciando princípios como: o design deveria responder a necessidades práticas da vida moderna; o design deveria beneficiar dos avanços em Belas Artes e das Ciências Puras; o design deveria aproveitar as vantagens de novos materiais e técnicas; entre outros, sempre na senda do novo, e do simples1, fazendo, pouco a pouco, com que o antigo, o complexo e o milenar fosse desvalorizado ou esquecido. Um pouco à semelhança do ornamento, que foi repudiado e considerado, na maior parte do século passado, o inimigo número um do design moderno.
A beleza encontrada nas peças Ligero na verdade revela que a dupla não renega nenhum dos mundos. O paradigma do moderno coabita, e complementa, o princípio pós-moderno, evidenciando, mais uma vez que não é, por vezes, na erradicação do passado que as nossas vidas ficam mais enriquecidas e completas. O ornamento diverte e confere à vida aquela fatia de lúdico com a qual sem ela nenhum ser humano pode viver.
O primeiro contacto que os designers brasileiros tiveram com o acrílico foi em 2006. As peças Ligero modelo 01, transportam o luxo ostentoso de outrora para os dias de hoje, sem consciência pesada: "utilizando o corte a laser observámos que tínhamos muita liberdade para criar/estampar o desenho que queríamos sem ter que passar por um processo caro... inviabilizando o produto. A nossa ideia inicial veio do barroco que durou muito mais tempo no Brasil do que na Europa. Veio para cá e fez parte durante séculos da nossa raiz artística. E de certa forma o barroco traduz o amor do brasileiro ao rebuscado e ao detalhe. A memória sempre estará representada de alguma forma (no mobiliário, nos objectos, na arte). É uma forma de compreendermos melhor quem somos através do que já se passou com a humanidade. Desta forma sempre funciona misturar o clássico com o que é actual". Foi possível criar as peças pela facilidade na moldagem: " assim nasceram as mesas e bandeja ligero. Com calor e uma simples fôrma tira-se a dobragem que se desejar. Depois com a linha Fetiche partimos para algo mais complexo, o corte de 45º, a colagem perfeita, o encaixe perfeito, etc... Sentimos que o acrílico (metacrilato) se trabalha bem, traz-nos uma enorme liberdade... o que é essencial para um designer. Mais ainda porque o material apresenta uma qualidade e resistência maior do que apresentava há vinte anos atrás, não amarela como amarelava antes".
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