

Gonçalo Furtado + Nuno Viana: A sua formação em arquitectura teve início na Universidade de Tecnologia de Helsínquia, desenvolvendo actividade como arquitecto e designer gráfico desde 1960 e fundando o seu próprio atelier de arquitectura em 1983. Exerceu ainda o cargo de Director do Museu de Arquitectura Finlandesa, entre 1978 a 1983, foi reitor na sua universidade de formação e professor convidado em várias faculdades americanas, realizando palestras por praticamente todo o mundo e integrando em 2009 o júri do prestigiado Prémio Pritzker de Arquitectura. Olhando para trás e para o seu longo percurso de trabalho, podemos afirmar que possui uma produção prática assinalável, mas a sua investigação teórica tem merecido uma atenção constante, contando com uma vasta produção em que se destacam "The Eyes of the Skin" (1995), "Encounters" (2005) e "The Thinking Hand" (2008), tornando-o numa figura de influência incontornável no mundo da arquitectura contemporânea, especialmente nos seguidores dos princípios da fenomenologia e de algumas correntes da teoria crítica de arquitectura das últimas décadas. Poderá explicar-nos a sua escolha pela arquitectura e assim como a necessidade por detrás da sua produção teórica? Sente-se mais atraído por uma espécie de arquitectura mental (de abstracção e hipótese) paralela à do projecto desenhado e construído?
Juhani Pallasmaa: Eu vejo-me essencialmente como um arquitecto e um designer, mas tenho de confessar que durante a última década e meia passei mais tempo a escrever, a ensinar e em palestras do que a projectar. No entanto, não considero a minha produção teórica como separada ou distanciada da prática projectual, dado que ambas são formas de olhar para o fenómeno da arquitectura. O significado original da palavra grega theorein corresponde a "olhar para" e não a "teorizar". Edmund Husserl também descreveu o método fenomenológico em filosofia como "puro olhar". Da mesma forma que no projecto, no meu trabalho escrito, olho para a arquitectura; e através das lentes específicas da arquitectura olho para o mundo e para a cultura humana. Arquitectura e arte são, também, formas de estabelecer a minha própria identidade. No entanto, na minha perspectiva, no próprio acto de projectar, visões teóricas e conhecimento adquirido precisam de ser reprimidos ou esquecidos. Como uma vez o grande escultor basco Eduardo Chillida me confessou numa conversa ao jantar: "quando começo um novo trabalho, tudo o que fiz anteriormente não tem para mim nenhuma utilidade". Gaston Bachelard escreveu sobre a importância do "desaprender" e Rainer Marie Rilke sobre a significância do esquecer, como uma pré-condição mental para o trabalho criativo. Experiências e conhecimento precisam de se transformar em sabedoria corporal e integrarem-se na forma de ser de cada um. Quando projecto, suspendo o que escrevi.
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