

Arquitecto, cineasta e artista visual, Alfredo Jaar nasceu em Santiago do Chile e vive em Nova Iorque, desde a década de oitenta. No Museu Berardo expõe “Cem vezes Nguyen”, instalação centrada na imagem de uma menina que o artista conheceu num campo de refugiados vietnamita, em Hong Kong, em 1991. A mostra que integra a secção oficial do festival PHotoEspaña 2011, “Interfaces. Retrato y comunicación”, propõe uma reflexão sobre a política das imagens e formas de comunicar visualmente realidades e experiências vividas em cenários díspares de um mundo globalizado. A exposição de Jarr em Lisboa foi naturalmente um tema abordado nesta conversa bem como a sua experiência de artista latino-americano num mundo da arte cada vez mais desterritorializado, sem geografias ou hegemonias fixas.
arqa: Para começar gostaria que me falasse da instalação “Cem vezes Nguyen” (1994), exposta no Museu Berardo, em Lisboa. À semelhança de trabalhos anteriores como “The Silence of Nduwayezu” (1997) e “The sound of silence” (2006) esta mostra constitui um espaço de reflexão sobre o uso e o valor das imagens na sociedade contemporânea. A repetição de uma mesma imagem é a melhor estratégia para representar uma realidade colectiva?
Alfredo Jaar: No meu trabalho utilizo sempre a fotografia mas não o faço de forma exclusiva, ou seja, não sou um fotógrafo. O que mais me interessa é reflectir sobre o que chamamos a política das imagens e sobre o sistema de representação. As minhas obras são exercícios de representação e, como refere, efectivamente trabalhei esta questão com outras imagens, por exemplo com a famosa imagem de Kevin Carter que utilizei na obra “The sound of silence”, de 2006. Este foi um dos meus primeiros exercícios em que queria comunicar uma realidade, uma situação e procurar uma maneira poética de o fazer. No caso de “Cem vezes Nguyen”, das mil e tantas imagens que registei em Hong Kong, poderia usar uma série delas, mas pareceu-me que esta sequência de quatro imagens dizia mais do que qualquer outra coisa. Estas imagens tocavam, emocionavam, iluminavam, diziam muito sobre a situação dos refugiados, davam-lhes uma cara mais humana.
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