

Assisti como observadora às conferências dis:Place: Deviations on Architectural Practice que teve lugar de 31 de Março a 2 de Abril, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. A minha qualidade de observadora (não especialista, refira-se) deverá talvez deixar o leitor de sobreaviso: esta não será uma resenha crítica disciplinar, quem sabe como convirá à série de demonstrações a que assitimos na conferência e que, nas suas mais extremas concretizações manifestaram declarada transitoridade ou recusa de perenidade por parte do objecto construído, por vezes desconcertantes. Assim sendo, ficarão estas asserções muito mais por uma ambígua mas sincera relação com as práticas mostradas, tendo como pano de fundo a minha própria formação artística das (ainda chamadas) belas-artes.
Esta ligação não é, na verdade, um ponto de partida nem tão pouco uma referência nostálgica aos tempos de partilha efectiva do espaço físico dos cursos de belas-artes e de arquitectura no Porto. Mas sim, a realização de que alguns pontos de contacto serão, quem sabe, algo que valeria a pena cruzar num território crítico em que se informam ambas as práticas. Se faço esta pequena advertência prévia também não é, de todo, para procurar fundamentar práticas desviantes na arquitectura, ou seja as que se afastam de programas construtivos rígidos, nem sequer para pretender que aquelas de que aqui falamos possam ser inscritas num registo artístico. Vale a pena perceber que este constante flirt disciplinar tem sido muito produtivo, mas valeria a pena também procurar perceber como se pode fazê-lo avançar.
Para além de uma demonstração de extraordinária capacidade de auto-organização por parte do grupo de alunos que as organizou, as conferências transmitiram um sentido de coesão de conteúdos que atesta e confere à noção de desvio disciplinar um novo limite. Não que as práticas mostradas sejam menos arquitectura do que, digamos, um edifício de representação do poder político instituído. Muito pelo contrário, o que elas são instaura sentidos de uso e dinâmicas construtivas que, julgo, desmonstram uma declarada, ainda que sob forma desviante, inscrição disciplinar. O que se passa é que elas, quase todas, incorporam um novo sentido de transitoridade e precaridade que os exemplos mais perenes da arquitectura não tinham necessidade de contemplar porque as suas preocupações eram inteiramente outras. E a palavra "necessidade" é aqui crucial, não no seu sentido mais basilar, mas porque é, na verdade, na instauração de novas necessidades que qualquer disciplina, qualquer prática, progride.
Mai 2011

Arquiteto, autor e professor, a importância da sua produção teórica e prática é internacionalmente reconhecida. Licenciado pela Universidade de Cornell, mestre em Arquitetura pela Universidade de Columbia, doutorado em…
Mai 2012

O título "Higher Atlas" definido pelos dois jovens curadores da Bienal de Marraquexe deste ano - Carson Chan e Nadim Samman - interpreta-se "mais elevado" (high) que conota sonho…
Mar 2012