arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Itinerâncias

por: Luís Santiago Baptista

Snøhetta: Arquitectura Paisagem Interiores

Habitando o espaço instável entre o autoral e o empresarial

Com cerca de duas décadas de actividade, o escritório norueguês Snøhetta apresenta-se agora em Portugal, na Fundação EDP, em Lisboa, através de uma exposição itinerante, versão mais curta de uma anterior realizada no Novo Museu Nacional de Oslo, complementadas com duas conferências com dois dos sócios actuais do escritório.
Em termos gerais, poderíamos dizer que o escritório fundado por Kjetil Thorsen e Craig Dykers deriva de uma situação que se pode definir de improvável e ocupa hoje uma posição, em certa medida, indefinida no panorama arquitectónico internacional. Desde logo, improvável porque o escritório é resultado de circunstâncias muito peculiares e certamente raras no meio disciplinar da arquitectura. De facto, o Snøhetta emergiu a partir do 1º prémio num dos mais participados concursos internacionais do início do final da década de oitenta, a Nova Biblioteca de Alexandria, no Egipto, num momento em que este colectivo de arquitectos e paisagistas não era mais do que um grupo de amigos que se juntaram para fazer uns concursos. O percurso de perfeitos desconhecidos a jovens promessas foi assim realizado de chofre. Claro está, que tudo se jogaria na sua capacidade de responder aos compromissos e solicitações profissionais inerentes a uma obra desta envergadura. O resultado construído foi prometedor, abrindo a prática do escritório a novos desafios, dos quais a surpreendente Ópera de Oslo, vencedora do Prémio Mies van der Rohe de 2009, o singular Museu Peter Dass e o quase concluído Pavilhão de Entrada do Memorial do 11 de Setembro, em Nova Iorque, se apresentam como as mais significativas realizações recentes. Mas novos desafios já se anunciam no horizonte, com os sugestivos projectos para o Médio Oriente, talvez menos topográficos e mais vincadamente alusivos, como o Complexo Comercial e de Lazer em Ras Al Khaimah e o, recentemente iniciado, Centro de Cultura e Conhecimento King Abdulaziz, na Arábia Saudita. Em suma, o Snøhetta tem-se afirmado progressivamente através de uma procura constante de novos desafios, o que sendo promissor não deixa de encerrar alguns riscos.
O que nos leva à segunda questão, a da condição indefinida do Snøhetta. De facto, o Snøhetta não é facilmente enquadrável a partir das duas perspectivas dominantes da arquitectura contemporânea, a autoral e a empresarial, apesar de dever alguma coisa a ambas. Por um lado, em termos do paradigma da arquitectura de autor, o Snøhetta não é facilmente identificável como uma assinatura projectual, embora se percebam identidades e continuidades na sua produção arquitectónica. Os seus edifícios não elaboram sobre uma linguagem reconhecível, que vai evoluindo com o tempo, mas encontram soluções bastante diversificadas dificilmente unificáveis num estilo peculiar.

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Mai 2011

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