

Sentiu-se alguma tensão com a publicação de Arquitectura em Público, livro de Pedro Gadanho sobre o modo como a arquitectura foi publicada nas páginas do jornal Público, entre 1990 e 2005. A tensão é compreensível, o livro quer ser polémico e apresenta uma quantidade monumental de factos concretos (comenta um repertório de aproximadamente 600 artigos impressos nas páginas do jornal) à luz de uma opinião própria que, em geral, não coincide com a dos autores dos artigos analisados. O incómodo torna-se evidente quando a estratégia do texto não segue um protocolo académico de prova e contraprova, argumento e contra-argumento (apesar do texto ter origem numa tese académica no âmbito da qual era um ‘estudo de caso', o livro retira-lhe esse aparato e desdramatiza essa ambição de autoridade científica). Ou seja, os argumentos do livro podem aproximar-se da forma de quem os apresenta após a leitura do jornal na mesa de um café (imagine-se um café com mesas de mármore e fumo ambiente). Naturalmente, essa liberdade argumentativa, com as virtudes e perigos que lhe estão subjacentes, pode suscitar dúvidas.
Pedro Gadanho não é um desconhecido no campo da crítica e do debate da arquitectura em Portugal. Consulte-se o seu currículo e não são poucas as exposições de alcance internacional das quais foi responsável, nem foram poucas as polémicas teóricas que provocou e geraram debates sucessivos no nosso contexto. Recordem-se as versões flux organizadas com Luís Tavares Pereira e compreenda-se que ainda está em aberto o debate geracional na cena contemporânea. Ou o modo como a polémica vulcânica da sombra tutelar dos pritzkers portugueses, aberta na exposição Habitar Portugal, tem animado vários blogues. Quanto à oportunidade desses debates ainda há muito a discutir, mas o certo é que Pedro Gadanho se tem afirmado como um alienígena no campo da crítica em Portugal. Qual a sua opinião depois de lidos quinze anos consecutivos de jornais? (Em boa verdade depois de lidos os primeiros anos e, sobretudo, os últimos sete).
Mai 2011

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Mai 2012

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Mar 2012