

1. A reabilitação urbana é indiscutivelmente o tema do momento. As instituições disciplinares e públicas e os media especializados e generalistas têm reflectido esse interesse crescente por esta temática, que sem dúvida ganhou, no actual cenário de crise globalizada, uma nova relevância e pertinência. O modelo de crescimento económico e produtivo continuado, que sustenta o fenómeno de urbanização globalizada, parece, pelo menos para o mundo Ocidental, levantar hoje grandes dúvidas e incertezas. A reabilitação urbana acaba então por surgir como possibilidade para enfrentar positivamente essa nova condição de retracção construtiva. No entanto, pressentimos que o debate, tal como tem sido colocado, parece estar deslocado da realidade contemporânea. E isso, diríamos, acontece essencialmente por duas ordens de razões. Por um lado, esse desfasamento deriva de uma ideia dominante de reabilitação urbana e arquitectónica assente na materialidade do edificado. De facto, quando falamos de reabilitação não falamos meramente das estruturas físicas existentes, permanentes e materiais, mas igualmente de realidades sociais e culturais, mutáveis e dinâmicas. Por outro lado, esse desfasamento resulta da persistência de uma concepção tradicional do urbano, que, quer queiramos quer não, deixou de se reflectir na nossa realidade territorial. Há muito que as dicotomias entre cidade e campo, entre o urbano e o rural, deixaram de fazer sentido perante os fenómenos de urbanização generalizada. Ilka & Andreas Ruby analisaram criticamente esta situação indefinida, simultaneamente fragmentada e interconectada, específica e genérica, na publicação Urban Transformation: "O significado preciso de urbano em relação ao urbanismo e à cidade tornou-se crescentemente difuso. Dependendo da especificidade das condições geográfica, climatérica, económica e cultural, existem frequentemente muitas implicações conflituais nos desenvolvimentos urbanos: a megalopolis hiper-densificada coexiste com o interminável alastramento suburbano; a vida tradicional de rua existe lado a lado com a rede massiva de tráfego; o hardware da arquitectura é expandido pelo software do evento; o urbanismo instantâneo na China acontece simultaneamente ao fenómeno de desertificação das cidades e à lenta decadência dos pequenos aglomerados nos países desenvolvidos altamente industrializados."1
(…)Mai 2011

1. A temática do turismo caracteriza-se hoje, por um lado, por práticas generalizadas de mobilidade dos indivíduos e, por outro, por críticas aos processos de massificação a que estas…
Mai 2012

1. Para os arquitetos, a questão da ruralidade não pode deixar de estar marcada explicita ou implicitamente pelo texto seminal "Construir Habitar Pensar" de Martin Heidegger. Escrito em 1951,…
Mar 2012