

1. O presente artigo foca a questão da reabilitação urbana em Portugal ao longo das últimas décadas, onde faremos referência a alguns desafios e à evolução de paradigmas, através da análise de uma sequência selectiva de artigos e intervenções, que continuam a constituir as bases para uma reflexão acerca da intervenção na contemporaneidade.
Tal selecção empreende três períodos e uma sequência de posturas projectuais que incluem a intervenção na zona da Ribeira-Barredo (1969), da autoria do arquitecto Fernando Távora (1923-2005), a intervenção no centro histórico de Guimarães (1983), igualmente de Távora, e a Reabilitação da zona do Chiado (1988), da autoria do arquitecto Siza Vieira (1933 -). Trata-se de casos nacionais que correspondem a momentos e circunstâncias distintas, mas que têm em comum o reabilitar de espaços da cidade que compreendem o centro histórico. Por outro lado, uma análise que progride na discussão sobre desafios e paradigmas de intervenção, expressos numa sequência selectiva de artigos publicados nas revistas do seu tempo, rumo a uma contemporaneidade, numa altura em que se multiplicam e acumulam possibilidades, posturas e princípios interventivos.
2. Comecemos por acentuar que, nacionalmente, uma variedade de factores determinou que as grandes transformações urbanas e verdadeiras políticas de intervenção em centros históricos fossem introduzidas de forma lenta e por vezes tardia comparativamente à restante Europa. De facto, desde a instituição do Estado Novo (1933-1974) até à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), delinearam-se alguns desequilíbrios espaciais, relacionados com as intervenções urbanas (incluindo centros históricos) de reposição do edificado com bases em novas construções. No contexto internacional surgem três linhas experimentais, que vão complementar e dar forma a várias operações de Planeamento, em Portugal, a "experiência empírica inglesa, a normativa Francesa e o Plano de Bolonha - consolidando internacionalmente a doutrina da conservação integrada". No entanto esta visão integrada não caracterizava na totalidade o panorama geral interventivo o qual, segundo Manuel Mendes, se dividia em posturas distintas caracterizadas pela "arquitectura de difuso «internacionalismo» [que] [ia] actualizando as mais-valias do investimento imobiliário", e pela "arquitectura de autor (...) [situada] entre a fidelidade ao Movimento Moderno, e o fluído compromisso da natureza do real e a acção do tempo histórico".
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