

Nuno Cera realizou, entre 2008 e 2010, "Futureland", um projecto sobre nove megacidades do mundo - Istambul, Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Shanghai, Hong Kong, Jakarta e Mumbai - constituindo um atlas visual e narrativo sobre o impacto da mudança e da transformação actual nas grandes cidades do planeta. Em trabalhos anteriores, como "News from Nowhere", de 2007, já havia trabalhado sobre cidades europeias como Londres, Berlim, Basileia, Barcelona e Lisboa, exercendo uma exploração especulativa, sobre a memória e a degradação das cidades, que tomou a forma de ficção de uma utopia negativa.
CIDADES VISÍVEIS
arqa: Apesar da tua prática artística não estar circunscrita aos temas urbanos, trabalhas frequentemente em territórios citadinos espalhados pelo mundo. Consideras-te um fotógrafo viajante? O que é que te leva a movimentar de cidade em cidade?
Nuno Cera: Sim e não. Sim, porque existe sempre um desejo e motivação para registar o desconhecido e o novo. Não, porque não dependo da viagem para fazer um novo trabalho, ou seja a viagem existe quase sempre com um objectivo específico. Para mim, os verdadeiros fotógrafos viajantes são por exemplo o Raymond Depardon ou o Bernard Plossu, que viajaram sozinhos por grande parte do mundo nas décadas de oitenta e noventa. Eu não me enquadro nessa tradição. O movimento que faço entre as várias cidades tem diferentes razões de ser. No caso do projecto "Futureland", fiz uma escolha orientada pelo número de habitantes e pelas estatísticas de crescimento urbano e a isso acrescentei alguns locais de uma forma mais subjectiva e pessoal, como por exemplo Jakarta, cidade pela qual tinha uma grande curiosidade. Já as viagens que faço pela Europa, são quase sempre realizadas por razões pessoais.
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