

Cartazes, graffiti's, stencils, stickers, tags, coisas, pinturas murais e políticas; os happenings, performances e música, uns dizem urban art, post graf, street art!, poemas, frases, riscos e "amo-tes" muitos aos montes... da Antónia ao Zé, passando pelo "merda", que, por acaso, é de Benfica.
Indepentemente da classificação e categorização deste tipo de intervenções, o espaço público foi sempre considerado um local privilegiado de comunicação e partilha directa de informação, revelando inúmeras possibilidades da expressão individual perante o colectivo. Esta consciência está visivelmente subjacente às manifestações políticas ou ainda, com maior incidência, no desenvolvimento de técnicas de marketing e publicidade. Mas paralelamente a estas actividades, temos vindo também a observar uma apropriação alternativa, despojada de quaisquer intenções corporativistas e que procuram na arte pública a reivindicação da expressão individual que quando reunidas originam um dínamo, um epicentro, uma ligação de confluências e cumplicidades.
São inúmeros os artistas e filósofos que reivindicam por um espaço público mais comunicativo, aberto e participativo. Como Vito Acconci que diz "idealmente gostava que as suas coisas existissem na rua, do mesmo modo que as outras coisas existem na cidade e não são anunciadas como arte". Ou Richard Serra que se pronuncia "contra a contextualização arquitectónica em prol de um espaço flexível." E ainda Eduardo Prado Coelho que ao constatar "pinta-se para saber o que é pintura", uma consequência natural será "um afastamento progressivo daquilo a que chamamos «mundo»".
Existem trabalhos de street artists que tomam como tema de intervenção a própria estigmatização do mercado da arte e das legislações "anti-não-se-sabe-bem-o-quê". Isto acontece, por exemplo, com a intervenção de Stak: ao colocar um autocolante na janela de uma galeria "we are free artists outside", pura consciência e provocação ao espaço institucional.
Um caso flagrante é a intervenção "graffiti clean city", na qual Zevs limpa muros e paredes, no entanto ele continua a "riscar" com a subtracção do sujo das paredes. Zevs ridiculariza qualquer política contra-ordenativa. Inadvertidamente ou não, a arquitectura, enquanto suporte do espaço público, enquanto articulação do público e do privado, facilmente se torna palco destas intervenções artísticas tornando-se forçosamente cúmplice da expressão artística. Este valor adicional da arquitectura não deve ser menosprezado.
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