

"Acredito que a arquitectura no futuro será caracterizada por uma participação crescente do utilizador na sua definição em termos de organização e forma"1, afirmava em 1980 Giancarlo de Carlo na defesa de uma "arquitectura da participação". Antecipando os efeitos da mediatização da arquitectura, com a exacerbação do arquitecto-autor e da cultura da imagem, o arquitecto italiano evidenciava a separação existente na actividade projectual entre a "definição do problema", a "elaboração da solução" e a "avaliação dos resultados". A interpretação do contexto e programa, a configuração do proposta e a apropriação da obra eram entendidas como fases distintas e autónomas, impedindo uma verdadeira comunicação entre arquitectos e utilizadores. Pelo contrário, de Carlo afirmava que "a participação implica a presença dos utilizadores durante todo o decorrer da operação", uma vez que "objectivos, soluções, modos de utilização e critérios de julgamento, através do seu ajuste recíproco, geram uma experiência sem fim". Assim, o projecto podia tornar-se "processo". A verdade é que, passadas três décadas, a convicção de de Carlo continua por cumprir. Porém, a temática da participação está a reemergir neste novo milénio, aliada à consciência das limitações das estratégias centradas na qualificação autoral do objecto arquitectónico. Não podemos continuar a viver somente dessa intensificação objectual da experiência do presente - para uns "evento" significante, para outros "espectáculo" alienante -, desconsiderando a duração das práticas quotidianas. No âmbito da publicação recente sobre "arquitectura e participação", Peter Blundell Jones, Doina Petrescu e Jeremy Till reflectem sobre esse interesse renovado pela temática, que acreditam implicar não só a "transformação do papel e da vida dos utilizadores", mas a própria "transformação da prática arquitectónica": "No âmbito da política global contemporânea, onde as questões da democracia são tão contestadas, uma verdadeira participação nos processos de mudança está a tornar-se cada vez mais rara e, ao mesmo tempo, cada vez mais necessária. Se as pessoas devem experimentar um sentido de pertença ao mundo no qual vivem, um envolvimento nos espaços em que habitam é um bom ponto de partida."2
(…)Mar 2011

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Mai 2012

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Mar 2012