

"Le style d'une pensée, c'est son mouvement"
Gilles Deleuze e Félix Guattari
Segundo o crítico e curador francês Nicolas Bourriaud, artistas como Maurizio Cattelan, Rirkrit Tiravanija, Pierre Huygue, Dominique Gonzalez-Foerster, Gabriel Orozco, Liam Gillick, Vanessa Beecroft ou Philippe Parreno, entre outros, apresentaram nos anos 90 diversas obras com características comuns, que se opunham deliberadamente, de modos diferentes, à arte objectual mais formalista, baseada ainda na expressão de uma subjectividade autoral absoluta. Nas suas propostas, os artistas identificados por Bourriaud procuravam acentuar o carácter interdisciplinar da obra de arte, explorando uma lógica "relacional" ao tomarem "por horizonte teórico a esfera das interacções humanas e o seu contexto social, mais do que a afirmação de um espaço simbólico autónomo e privado" . Bourriaud fixou esta atitude chamando-lhes obras de arte "como interstício social". Se o espírito das acções Fluxus parecia pairar ainda sobre estas iniciativas, elas escapavam todavia ao valor de curiosidade excêntrica que nos anos 60 significava agrupar pessoas em torno da criatividade performativa. O que as novas intervenções dos anos 90 pretendiam desenvolver era, afinal, uma espécie de ampla sociabilidade como "campo expandido" da arte, traduzindo assim uma vontade de colaboração experiencial entre artistas e público. Essas propostas artísticas dependiam desse modo da participação efectiva do público espectador, promovendo uma forma de trabalhar conjunta, que potenciasse "[...] as relações entre pessoas e o mundo, sob a forma de objectos artísticos.". No seu famoso livro de 1998, intitulado precisamente "Estética Relacional", Bourriaud identificou três momentos distintos na história da arte ocidental que pressupõem uma espécie de evolução temporal. O primeiro, traduziu a ligação espiritual mantida durante milhares de anos entre Humanidade e Divindade; depois, desenvolveu-se o período que privilegiou a relação entre a Humanidade e o Objecto, assistindo-se actualmente, desde os anos 90, a uma arte de relação social, que, não abdicando do objecto, tem-no promovido sobretudo como instrumento de sociabilidade, criando laços de interacção social entre promotor e receptor da obra de arte, invertendo desse modo o valor fetichista do objecto de arte como expressão final do trabalho artístico. A obra relacional produz assim, essencialmente, situações construídas a partir da figura do encontro, apelando a uma participação que envolve o convívio e a consulta táctil de documentos ou outros objectos que ocupam o espaço expositivo comum mas que não têm um lugar definido do ponto de vista físico ou formal. O encontro entre pessoas (artistas e público) estabelece por isso uma relação dinâmica, que evolui, formal e também conceptualmente, em referência às circunstâncias dos momentos que o constituem.
Mar 2011

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Mai 2012

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