
Há uns anos, durante uma entrevista à revista francesa «Le Point», Jean Nouvel sugeria que, durante um ano, nas escolas secundárias, fosse ministrado o ensino de História da Arquitectura. O grande arquitecto, sempre polémico e provocador, desenvolvia o argumento de que, mesmo sucinto, o ensino dessa disciplina poderia animar os alunos para o conhecimento de outras matérias, entre as quais a do... civismo. Não era absurda, a tese; no fundo, continuava o princípio do desenvolvimento cultural dos gregos, que entendiam (e bem!) que o saber não tem limites.
Conhecer, mesmo, concisamente, a história de uma arte tão importante como é a arquitectura poderá ajudar-nos a compreender o próprio progresso e aperfeiçoamento humanos, e perceber as alterações sociais e políticas das sociedades.
O ensino, o conhecimento, a cultura e a percepção do que sucede em nosso derredor faz parte das sociedades que se desejam incrementadas. Os tiranos detestam e perseguem a robustez cultural dos povos. Os exemplos são gritantes. E nós, em Portugal, fomos sujeitos e objecto de repressões políticas quase insanas, e que se não limitam ao longo consulado salazarista. Não esqueçamos a Inquisição, que se manteve, durante três séculos, no nosso País e que, até hoje, deixou lastro nas mentalidades.
A Primeira República apostou na instrução como prioridade das prioridades. É uma tarefa gigantesca, cuja importância tem sido esquecida deliberadamente ou minimizada. Foi durante os escassos dezasseis anos republicanos que a interdisciplinaridade e o cruzamento das sabedorias até então adquiridas foi promovido. Os Centros Republicanos, com as suas escolas primárias anexas, acentuaram esse projecto com professores e professoras excepcionais, nascidas do entusiasmo e da mobilização colectiva de 1910. A ascensão e a consolidação, pela força, da ditadura, foi um travão desse nobre conceito desenvolvimentista.
Jan 2011

Há uns anos, alguém defendeu a tese absurda e abstrusa de que as favelas abriam um capítulo importante na história da arquitectura. A polémica surgiu. Vozes levantaram-se apoiando o…
Jul 2011

Reabilitar, quê? A memória das coisas? É praticamente impossível. Quando os velhos centros históricos citadinos se deterioram e arruínam, a sua recuperação arquitectónica não completa a história desses bairros.…
Mai 2011