
Isto é de um poder brutal. Este escrito é testemunha do sentimento com que se alimenta e atormenta o espírito. E os espíritos devem andar desinquietos, aflitos, atormentados, com a possibilidade do mal, porque este existe. E o sentido de justiça pode também fazer mal, porque quer fazer mais mal que o provocado. E é vertiginosa a capacidade de se provocar a inquietude a partir do mal dos outros. Esta é uma escrita assertiva, como poucas conheço, sobre essa visão maior do Mundo, vista pelos americanos, que são como são e não são, nem devem, ser outra coisa. Quando a outra e próxima potência chegar que sejam então estes de outra maneira. Mas Steiner vê ainda o Mundo de outra maneira, numa espécie de transparência radioactiva, que atravessa através dos corpos e dos tecidos moles, as entranhas e os esqueletos dos corpos dilacerados das fantochadas humanas esse inferno de Dante e esse purgatório possível, onde nada existe inocentemente. Estas crónicas por vezes provêm do campo de batalha do bem contra o mal, mas está presente e omnisciente, voluntarioso e cativante. Não é que a sua visão sobre o mundo seja negativa, pessimista ou alarmante, antes existe um esplendor neste seu reconhecimento da enorme capacidade da humanidade nos surpreender e revelar ambições maiores (ainda) insuspeitas. Deus foi de facto prodigioso em possibilitar um mundo tão diverso, intrigante e inusitado. E George Steiner é o revelador capaz de tamanhas façanhas. Estas crónicas são um bem maior à compreensão estranha de um mundo, cada vez mais global, mas quase sempre mais surpreendente. É a sua vontade do progresso. E assim seja feita a sua vontade. Não se é indiferente a uma capacidade de intriga, perante factos e acções que o século XX insistiu em singularizar.
(…)Jan 2011

Portugal inebriou-se no Pós-Moderno; naturalmente. A euforia pós-modernista antevia um progresso como o século não tinha ainda conhecido, de imobiliário, de construção, de obra, de arquitetura. Duas décadas otimista…
Mai 2012

Eis-nos perante o novo Inferno; existe sempre que se ambiciona mais. A eternidade, Chafes reconhece-a em Stefano Maderno, na sua Santa Cecília de 1600, em Roma. Nós temos reconhecido…
Mai 2012