

Gonçalo Furtado: Comecemos remetendo para a tua vida dedicada à historização e crítica da arquitectura. Após um início de carreira enquanto arquitecto colaborador de uma empresa de grande dimensão, voltaste à Universidade de Sheffield para realizar estudos doutorais em teoria e história da arquitectura. Desde então, uma actividade intensa foi desenvolvida, como pedagogo em Newcastle, mas também como autor/editor de numerosos livros. Quais são as mais significantes memórias que guardas desse tempo? De que forma esse período de desenvolvimento como arquitecto, deixou influências? Pensas que os livros que hoje produzes reflectem-no de alguma forma?
Andrew Ballantyne: Uma questão seria a de porque é que fui inicialmente levado para a Arquitectura. Que pensava constituir o trabalho do arquitecto? Cresci no maior escritório local, que possuía uma galeria onde frequentemente se expunha arte e se apresentavam concertos. Formei então a visão da arquitectura enquanto actividade cultural. Mas realmente acredito que a minha escrita decorre mais de experiências de infância, mais até do que desses anos iniciais de prática profissional. Uma memória antiga que retenho é a de numa clareira atravessar uma porta que se rasgava num paramento arruinado, rumo a uma floresta ancestral. A porta estava em ruína, sendo difícil de abrir. Recordo a sensação que sentia nesta inesperada transição especial. Tratava-se de um lugar familiar, mas secreto.
Jan 2011

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