
A temática do informal em arquitectura emergiu explosivamente na década de noventa associada à exploração de novas morfologias e de novos processos de formalização potenciados pelo computador. Mas existe outra linha de investigação do informal que tem ganho crescente visibilidade e relevância. São intervenções informais que investem antes numa relativização ou mesmo neutralização da centralidade da questão formal.
Em tempos de exacerbação da investigação morfológica, certas práticas contemporâneas, como a de Lacaton & Vassal e de Ricardo Bak Gordon, procuram responder à realidade quotidiana de um modo mais sóbrio e silencioso. Se a dupla francesa desenvolve uma contenção radical do acto formalizador, explorando uma informalidade aberta à apropriação livre do utilizador, o arquitecto português envereda por uma investigação pessoal dos fundamentos disciplinares da arquitectura, buscando a expressão da evidência da obra arquitectónica. Para ambos, a actividade arquitectónica consciente perante o modo de produção tardo-capitalista só pode passar por isso pelo deslocamento da primazia da forma na prática arquitectónica. E isso coloca-os desde logo na órbita alargada do informal.
(…)Out 2008

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