arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Crítica

por: Gonçalo Furtado e Cristina Silva

Uma conversa com Kenneth Frampton

História, Resistência Crítica e Interesses Actuais

1. UMA HISTÓRIA CRÍTICA
1.1.
Gonçalo Furtado e Cristina Silva - Comecemos pelo seu percurso enquanto historiador e crítico de arquitectura. Tendo nascido em 1930, em Inglaterra, formou-se como arquitecto na Architectural Association School of Architecture. Desde então desenvolveu uma actividade intensa e participativa no campo da arquitectura, nomeadamente como docente, autor de numerosos livros e ensaios. Em Inglaterra, por exemplo, leccionou no Royal College of Art, na AA, tendo também dirigido a revista Architectural Design entre 1962 e 1965. Em meados da década de 60 rumou aos EUA, sendo professor na Princeton University, e, desde 1972, na muito conceituada Columbia University. Leccionou várias gerações de arquitectos tal como influenciou vários jovens teóricos que tiveram projecção internacional
Não perde no entanto a sua ligação à Europa e a outros continentes, tendo voltado a leccionar no Royal College of Art, assim como noutras instituições incluindo o ETH de Zurique, o Berlarge Institute de Amesterdão, a Accademia di Architettura de Mendrisio, a Chinese University de Hong Kong.
A chamada "fuga de cérebros" verificou-se também na Arquitectura, tendo muitos Ingleses ido para os EUA (recordemo-nos de Alan Colquhoun, Robert Maxwell, ou outros dos seus colegas). Como recorda os períodos em Inglaterra e nos Estados Unidos em termos pessoais e profissionais?
Kenneth Frampton - Apesar de ter permanecido intimamente ligado à Europa, o facto é que passei praticamente metade de toda a minha vida em Nova Iorque, ensinando na Columbia, mesmo subtraindo o tempo passado a ensinar em Londres, no RCA, entre 74 e 77. Simultaneamente estive envolvido com algumas Instituições Suíças. De facto ensinei Projecto duas vezes na EPFL Lausanne, ao mesmo tempo que era Professor Visitante na ETH Zurich e na Accademia di Architettura, em Mendrisio. Também tive o privilégio de ser convidado por Herman Hertzberger para o ajudar a iniciar o Berlage Institute em Amsterdão, e mais tarde, como já adiantei, ensinei com Mario Botta e Leo Galfetti, durante os primeiros cinco anos da Escola de Mendrisio. Esta última foi uma experiência excepcionalmente rica. Voava para Lugano, via Londres, oito vezes por ano, durante cinco anos. Cada visita incluía dirigir um curso de projecto e outro curso teórico. Apesar deste contacto transatlântico intermitente, é difícil aceder à Europa a partir dos Estados Unidos, e vice-versa, mesmo considerando que Manhattan e Nova Iorque, não sejam exactamente os Estados Unidos. Há um sentimento de uma intimidade urbana na Europa, que no meu ponto de vista, não pode ser replicado na América, pelo menos não para mim. Isto talvez se deva ao facto do meu tempo na AA ter sido bastante formativo (1950-55) e as amizades que criei, naquele período, terem um carácter familiar, que continua até agora.

 (…)

Nov 2010

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