
O tempo, hoje, não corre mais depressa, como costuma dizer-se. O paradigma social, político e económico é que mudou. As exigências do «mercado» permitiram uma alteração substancial nas estruturas das sociedades, criando uma tensão e uma crispação que, necessariamente, teria de afectar a vida de todos nós. A «globalização» determinou um certo afastamento do mundo, e erigiu o lucro como um fim em si mesmo. O desemprego, a exclusão, a inquietação e o desassossego generalizados, com expressões tão condenáveis como o racismo e a xenofobia, tornaram-se o espírito da época. E as sociedades tradicionais não estavam preparadas para enfrentar uma violência desta natureza. Porque de violência se trata. A situação em que se encontra a nossa juventude, não é única na Europa e no Mundo. E esse facto sacudiu a velha tranquilidade burguesa, a que estávamos habituados. Vivíamos num mundo baseado no terror nuclear, não o esqueçamos. E esse equilíbrio no terror, se confortava a humanidade, não deixava de ser uma ameaça sufocada. A implosão da União Soviética tornou o planeta unipolar, com ameaças cada vez maiores e mais acentuadas.
Portugal não só foi abalado pela situação nova, criada pela queda do Muro de Berlim, como, antes, fora sacudido pela Revolução de Abril. A normalização da sociedade fez nascer problemas novos e absolutamente diferentes. A nossa economia não estava preparada para alterações deste jaez e estilo. A estrutura agrária, a iliteracia dos empresários e a sua marcada resistência à mudança, assim como um operariado pouco qualificado daria origem a crises sucessivas, de difícil solução. O número de licenciados, embora ainda escasso, sofreu transformações substanciais e imprevisíveis. «Toda a gente queria ser doutor», como exemplarmente disse o prof. Medina Carreira. O surgimento de universidades particulares obedeceu à nova norma. Foi, antes de tudo, um empreendimento destinado aos negócios; mas também permitiu o acelerar de novas perspectivas nos domínios do ensino superior. Em breve, porém, a bondade das intenções revelou-se maléfica. Sem regulação, sem estruturas programadas consoante as necessidades da sociedade foram gerados cursos desprovidos de direcção e de sentido - a não ser o sentido do lucro.
Set 2010

Há uns anos, alguém defendeu a tese absurda e abstrusa de que as favelas abriam um capítulo importante na história da arquitectura. A polémica surgiu. Vozes levantaram-se apoiando o…
Jul 2011

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Mai 2011