arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Livros

por: Mário Chaves

Rem Koolhaas, 3 Textos sobre a cidade

Gustavo Gili, 2010

Rem escreveu Nova Iorque delirante, depois da sustentação do Não Lugar, de Augé, e essa circunstância era tremendamente necessária, face ao fulgor do exemplo máximo do capitalismo industrial e ao pior que os anos 70 nos legaram, na imensidão da indiferença dos não lugares. Contudo, 30 anos depois era importante voltar a escrever sobre a banalidade dos Lugares Comuns, essas inenarráveis sucessões de lugares suspeitos de boas intenções e inconsequentes consequências. De facto, os títulos dos artigos são reveladores da sua actual reflexão, exactamente nas cidades onde tem intervindo. Tem errado nestas suas intervenções por excesso de messianismo, mas aqui faz um acto de contrição ao assumir que a força das cidades já não reside nos cidadãos, mas na dimensão avassaladora das metrópoles. As cidades possuem uma grandeza e um brilho inapagável, mas produzem cada vez mais esses ignóbeis lugares comuns. São o espaço lixo da cidade genérica. São textos reflectivos de um homem na meia-idade, que quis fazer alguma revolução na arquitectura recente e no urbanismo, com alguns falhanços, mas aqui faz um acto de contrição. O espaço-lixo e a cidade genérica, reflecte-se de facto não na grandeza, qual Roma eterna, mas no tamanho, como o problema verdadeiro da cidade. O tamanho geográfico, da informação, do conhecimento, da especulação, da distância, da indiferença, da insignificância. A cidade não é a mesma de 1977, o mundo mudou de facto e a megapolis triunfará como a grande quimera da sociedade.

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Set 2010

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