


1. Projectos críticos e cartografias históricas no pós-modernismo tardio
1.1. Em arquitectura, a realização de construções teóricas, pode ser vista como contributo para debater o desenvolvimento passado e futuro da disciplina. Em Portugal, os últimos tempos foram marcados por uma explosão da disciplina da arquitectura, acompanhada do surgimento de múltiplas plataformas e agentes de acção cultural, mas de escassos debates alternativos sobre as possibilidades actuais. Como referi numa pequena historiografia do pós-moderno em prole da Construção do projecto crítico (PEI,2003-05), acredito que "a teoria tem um lugar central neste processo assumindo, para lá da mera tarefa modernizadora de legitimação da construção, uma acção atenta que observe a linguagem arquitectónica enquanto discurso em prática e o arquitecto como exterioridade reprodutora." Urgem-se projectos críticos, tanto teórico-historiográficos como desenhados, que nos apoiem a conceptualizar o presente futuro. Como referíamos na arqa #80, "podemos manter a arquitectura viva - não simplesmente baseada artisticamente na tradição... como uma espécie de fetiche... - , questionando as assumpções que foram sendo herdadas, para descobrir tipos de fundações mais sólidas onde a arquitectura possa... construir transformações". Por outro lado, devemos consciencializar uma alinearidade intrínseca à própria história (DeLanda); que é avessa às ideias de progresso moderno; e que encontra legitimidade no micro-histórico (Braudel, etc) ou nos questionamentos historiográficos do arquivo (Foucault). Tal percepção histórica é devedora de um pensamento mais amplo, denominado "pós-moderno". Culturalmente, o pós-moderno permitiu pensamentos híbridos e ahierárquicos; cientificamente concepções que superaram lógicas causa/efeito; economicamente perspectivas pós-industriais; socialmente organizações em rede, etc. Mas em paralelo com os benefícios enumerados, o "Nosso provisório pós-moderno", como referi no JA #208, não deixa de conformar também, perigo de se culminar numa redução da diferença a uma mesma categoria indiferenciada e homogeneizadora. Certo é que, do ponto de vista disciplinar, o pós-modernismo permitiu-nos ver a arquitectura enquanto artefacto cultural, até culminar por altura da desconstrução num certo niilismo pós-estrutural. Como referimos na arqa #65, tal foi paralelo a "uma tendência para o chamado supermodernismo das caixas de inspiração minimalista dos anos oitenta..., para algum apogeu high-tech e para a disseminação da arquitectura da big-orange em prole da globalização da esfera económico-cultural.... (No entanto, ressurgem recentemente novas tendências) - após uma primeira fase de arquitectura sobrextasiada pela visualidade - posições de abertura da arquitectura à participação/evolução baseada em performances generativas". No que a Portugal diz respeito, como referíamos em conversa com Siza publicada na AA, em 2004, "houve vários factores a condicionar a evolução dos modernos.... A terceira via reconheceu os limites do modernismo adaptando-o... (e) em determinados tempos consideraram que norte e sul tinham posturas arquitectónicas diferentes....
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