arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

Musealização da área arqueológica da Praça Nova do Castelo de S. Jorge, Lisboa

Carrilho da Graša

Arquitectura: João Luís Carrilho da Graça
Arquitectura Paisagista: João Gomes da Silva
Colaboradores: Francisco Freire, Vasco Melo, Pedro Abreu, Monica Ravazzolo
Maquetes: Paulo Barreto e Vanda Neto
Fundações e Estrutura: Estudos Betar, Engº José Pedro Venâncio e Engº Paulo Mendonça;
Instalações: Estudos Betar, Engª Marta Azevedo e Engº Jorge Pinheiro (hidráulica); Engº Ruben Sobral (eléctricas); GIPIC, Engº Alexandre Martins (segurança).
Design Sinalética: Designers Henrique Cayatte, Mónica Lameiro e Pedro Gonçalves.
Promotor: EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural)
Área: 3 500m² (bruta)
Custo: 1 000 000 00€
Data: 2008-2010
Texto: João Luís Carrilho da Graça, Arquitectos
Fotografia: FG+SG - Fotografia de Arquitectura / www.ultimasreportagens.com

Em 1996 teve início neste local uma extensa campanha arqueológica que pôs a descoberto vestígios de diferentes momentos da sua ocupação. Removidos e protegidos os objectos aí encontrados (presentemente expostos no Núcleo Museológico do Castelo de S. Jorge), foi-nos pedido a protecção e musealização de três áreas distintas, dispersas por entre a topografia do campo arqueológico: um conjunto de estruturas habitacionais da Idade do Ferro, os restos das paredes e pavimentos de duas casas do período de ocupação muçulmana e uma superfície pavimentada de um palácio do século XV.
A Praça Nova localiza-se num promontório na extremidade nascente do Castelo de S. Jorge, ladeada a norte pelas muralhas e a sul pela Igreja de Santa Cruz. A nascente abre-se numa relação de dominância visual sobre a cidade e o rio.
À semelhança do "campo operatório" das cirurgias (uma abertura no selo anti-microbiano, destinada a ser posicionada em torno do local da operação), procurou-se em primeiro lugar estabelecer com rigor o limite da área das escavações.
Um conjunto de muros de contenção revestidos a aço corten definem todo o perímetro da área de escavações, demarcando com precisão o "campo" e aprisionando no seu interior, a uma cota mais baixa, as escavações e as ruínas postas a descoberto.
Exteriormente, a uma cota mais alta, os muros de aço corten, sustêm um percurso periférico pavimentado a cubos de basalto, que circunda todo o conjunto arqueológico, promovendo os acessos e mediando a relação com as muralhas, com a igreja, com a cidade e com o rio.
No interior da área de escavação as circulações estabelecem-se pelos percursos originais. Revestidos a saibro, garantem a infiltração das águas pluviais no solo. Pontualmente, soleiras e lancis em lioz, regularizam pavimentos, resolvem ressaltos e estabelecem pequenas contenções. (...)

Jul 2010