
O homem cultural, que ao contrário dos animais que juntam, colecciona. Arte, dinheiro, amantes, desgostos, objectivos, experiências, dias e noites. Uma colecção dá sentido à vida, agarra-nos as posses materiais desta vida transitória, legitima o esforço de ter. A ambição de uma colecção pressupõe enumerá-las, etiquetá-las, lembrar que existem, exibir. É um universo sedutor, singelo, íntimo. Que também confere ordem, sistema, estrutura. E as listas mentais, de tão secretas que são, partem connosco. São só nossas, no íntimo, de as termos feito e de as legitimarmos. Uma listagem confere história, uma colecção refere uma estória. Na vertigem da nossa sucessiva sucessão de acontecimentos, resta legar por vezes o indizível, as listas normais, as veleidades do excesso, do incoerente, do assombroso. Em particular o capitulo 13, Definição por propriedades e definição por essência, arruma em absoluto as catalogações e confere sentido a qualquer lista que se queira. Pois o mundo assim o quer e a civilização. Vivem as listagens e as colecções. Livro esplendoroso.
(…)Jul 2010

No esplendor da forma, há uma secreta alegria em reconhecer as obras que emanam teluricamente da grandeza do pensamento e da invenção. De facto, esta beleza é corajosa, é…
Jan 2012

Yourcenar escreveu, no seu tempo, "o Tempo esse grande escultor" e, de facto, temos homens do nosso tempo, ancorados no entendimento do passado e desafiadores do futuro, porque é…
Set 2011