
As cidades já não o são; são metapólis, flexiexistencialistas, absorventes, indiferentes. O divórcio do cidadão com a sua cidade começou com a aceleração da comunicação e da mobilidade. A relação é de inconsequência, pela ausência de relação do indivíduo com o palco da sua vida, enclausurado em escritórios e automóveis e redes sociais, indiferente à chuva, à lua e à praça e ao horizonte. O afastamento entre a cidade histórica e a cidade funcional provoca a mudança de escala, acessibilidade e fruição. Os turistas são de facto os principais fruidores da cidade consolidada e cristalizada. E na nova cidade a dispersão conduz à depressão. Nenhum cidadão pressente numa atitude adulta, que uma cidade à sua dimensão se faça num contínuo deslocar por cápsulas encerradas, híbridas e anónimas. Os novos compromissos urbanos na terceira idade das cidades, após a consolidação urbana e a revolução industrial, assume a desmaterialização da riqueza pelo conhecimento e informação, pressupõe um novo atractivo que é a atractividade, de capitais, bens e homens, em marketing politico e económico, em cidades imageticamente estranhas e informes - Dubai, Xangai - são de facto sistemas complexos emergentes, ausentes mas pulsantes. O nosso mundo Ocidental não as entende bem. Espanta-se, mas não as deseja verdadeiramente. Tem as nossas premissas, mas não passam de uma cópia, ampliada e adaptada. E os nossos centros históricos são elegantes, monumentais e sumptuosos, envelhecem. O neo-urbanismo vinga agora, contraditório e ambicioso, mas sem futuro. Será o flexiexistencialismo a salvar a nossa agregação social, nas cidades eternamente mutantes?
(…)Jul 2010

No esplendor da forma, há uma secreta alegria em reconhecer as obras que emanam teluricamente da grandeza do pensamento e da invenção. De facto, esta beleza é corajosa, é…
Jan 2012

Yourcenar escreveu, no seu tempo, "o Tempo esse grande escultor" e, de facto, temos homens do nosso tempo, ancorados no entendimento do passado e desafiadores do futuro, porque é…
Set 2011