

Manuel Vicente, 15 edifícios na rota do Oriente foi um evento montado pelos estudantes do Mestrado Integrado em Arquitectura (MIA) do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, a partir da disciplina de História da Arquitectura Portuguesa. Iniciando-se no primeiro semestre, o projecto compreendeu uma exposição, um seminário, um filme e um breve catálogo que sintetizava os trabalhos de investigação realizados em grupo pelos alunos. Deste modo, pretendeu-se que o projecto servisse de introdução à prática da investigação em historiografia da arquitectura, a partir de temas da cultura portuguesa contemporânea. Dá-se assim continuidade ao projecto desenvolvido no semestre do ano lectivo anterior, com Habitar em Colectivo - Arquitectura Portuguesa antes do SAAL, com que se iniciou este ciclo de investigações.
Este ano, os estudantes foram desafiados a estudar um único arquitecto cuja obra, apesar de ser do domínio público, não tem sido objecto de reflexões monográficas específicas. A escolha de Manuel Vicente, nascido em 1934, em Lisboa, para centro desta investigação deveu-se, entre outras razões, a uma das finalidades traçadas no âmbito da formação em arquitectura no ISCTE: interpelar a condição actual da nossa produção arquitectónica através da história recente. O objectivo final é tornar a História da Arquitectura uma disciplina operativa e experimental. Este ano ainda estabeleceram-se parcerias com entidades externas à escola. Manuel Vicente, 15 edifícios na rota do Oriente surge assim associado ao projecto multidisciplinar Manuel Vicente Trama e Emoção, coordenado por João Afonso, e em parceria com a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (guardiã de parte do espólio deste arquitecto), tendo sido contemplado no programa Apoio Pontual 2010 da Direcção Geral das Artes do Ministério da Cultura.
Desde logo, a importância do conjunto da obra projectada e construída de Manuel Vicente na formação de uma cultura pós-moderna em Portugal, influenciando uma geração mais nova, nascida durante a década de 1950, justificava uma análise mais detalhada de alguns dos seus edifícios. Por outro lado, a diversidade de territórios para os quais projectou, desde Portugal Europeu, passando pela Madeira, Goa e principalmente Macau, criava uma forte expectativa quanto à dimensão miscigenada que a sua produção poderia conter. Existia ainda um outro e inquietante factor: a sua formação americana junto a Louis Kahn e a Robert Venturi, arquitectos decisivos na superação do moderno enquanto cultura dominante; em contraponto aos "velhos" mestres modernos portugueses como quem colaborou esporadicamente, casos de Francisco Conceição Silva, Raúl Chorão Ramalho, Nuno Teotónio Pereira ou Fernando Távora.
Jul 2010

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