
Arquitecto, Docente UAL e Universidade Évora
arqa: Tendo em conta a sua investigação teórica e projectual, em que sentido lhe interessa a ideia de património? Como definiria património?
João Luís Carrilho da Graça: Lembro-me de uma definição de património que ouvi há muitos anos que, do ponto de vista etimológico, dizia "o património é o que nós somos, aquilo que faz parte de nós, mais do que o que temos, ou possuímos". O mais relevante no conceito ou ideia de património é que o seu sentido seja colectivo e de respeito pelo que herdámos. Esta noção de património promove o equilíbrio nas intervenções de forma a não só manter o essencial dos valores que podemos reconhecer, dar-lhes continuidade e, eventualmente até, intensificá-los. Assim referido apercebemo-nos da enorme margem de discricionariedade dos possíveis intervenientes e autores que, por sua vez, obriga a um processo de equilíbrio (ou reequilíbrio) e à discussão com a sociedade. Estes debates e discussões, que considero indispensáveis e incontornáveis, permitem que haja consenso em relação àquilo que se pode ir fazendo com o património. No meu percurso profissional tenho feito inúmeras intervenções em edifícios de grande valor arquitectónico, patrimonial e arqueológico. Tenho normalmente como maior entusiasmo ou linha principal de reflexão a compreensão mais avançada e perfeita possível do que existe, para assim cumprir o indispensável respeito e protecção matérica da pré-existência. Muitas vezes as minhas intervenções têm dois momentos relativamente distintos. O primeiro, a intervenção no edifício, que tem normalmente o sentido de conservar, restaurar, dar continuidade e dar a ver o que existe. O segundo, muitas vezes exigido pelo programa, tem a ver com extensões ou ampliações do edifício mas também com o restabelecimento de relações entre o edifício existente e os espaços exteriores, quer sejam espaços de paisagem, de território ou espaços urbanos. Desta forma procuro com o conjunto unitário de frentes de intervenção, e num certo sentido "terapêutico", complementar o edifício existente na sua relação com a envolvente criando relações mais naturais, mais intensas e mais fortes, mas com uma certa simplicidade.
Jul 2010

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Jan 2012

Professor University of Strathclyde, Membro fundador GLAS, Co-editor "Writing the Modern City" arqa: Tendo em conta a sua investigação arquitectónica, de que forma lhe interessa a questão da arquitetura…
Jan 2012